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QUOTIDIANOS

10 de Outubro de 2018 | Marlene Cunha
QUOTIDIANOS
Opinião

Tenho de confessar que não tenho assistido a muitos espetáculos do Grupo Comédias do Minho, talvez pela impossibilidade de conciliar momentos de presença em Coura.

Dos que assisti, gostei imenso e tenho recomendado os espetáculos a amigos meus fora de Coura, dizendo-lhes que, para além de muitos outros motivos para visitar Coura, há um grupo de teatro que merece uma atenção especial.

A presença deste grupo, como companhia residente, mudou por completo a geografia cultural do Alto Minho, descentralizando o palco dos bons eventos culturais para concelhos que vivem na geometria das semiperiferias, já que a palavra interioridade perdeu sentido e não é politicamente correta.

Se o Centro Cultural foi a grande obra realizada nas últimas décadas em Coura – não sendo possível esquecer o Museu –, com o trabalho persistente de Pereira Júnior, esse autarca que revolucionou o concelho, a presença do Grupo Comédias do Minho foi a cereja em cima do bolo, como sói dizer-se.

E já lá vão 14 anos!

O Grupo tem agora uma nova residência, no antigo quartel dos Bombeiros, em edifício recuperado, depois de muitos anos de semiabandono ou de profunda letargia, mesmo que a sua presença se estenda, também, aos concelhos de Melgaço, Valença, e Vila Nova de Cerveira.

A primeira peça de teatro a que assisti – Frei Luís de Sousa – foi precisamente nesse espaço, então dos Bombeiros, cuja sala era ocupada para reuniões, projeção de filmes e espetáculos realizados por grupos amadores de teatro, comediantes e hipnotizadores.

Mas há um aspeto que gostaria de focar e que sobressai do Grupo Comédias do Minho: os espetáculos improváveis.

Explico melhor: em vez do palco tradicional, confinado a espaços tecnicamente preparados, em termos de acústica e som, o espetáculo acontece em espaços individuais, seja numa casa rústica, à luz da lareira, seja num café, seja, ainda, num salão de uma freguesia ou num espaço improvisado de uma aldeia.

Da improbabilidade desses espetáculos afirma-se o teatro como veículo de diálogo entre as pessoas, atenuando a fronteira ou linha de separação entre o ator e o espectador.

A descentralização que o grupo tem promovido, colocando o espetáculo junto das pessoas, nos seus territórios individuais, é algo de muito mérito e que, decerto, tem contribuído para que a aposta cultural da autarquia, muito mais reforçada com Vítor Paulo Pereira, seja uma aposta totalmente ganha.

 

 

 

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