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Suicídio em Castanheira

20 de Outubro de 2015 | Albano Sousa
Suicídio em Castanheira
Castanheira

Final da tarde de 29 de Setembro. A freguesia de Castanheira, abalada com a trágica noticia vinda algures do Lugar do Covêlo, chora a morte, por suicídio, do Manuel da Veiga, como era popularmente conhecido.

Com problemas de saúde nos últimos tempos, ao nível neurológico, Manuel Amadeu Pereira Domingues, de 57 anos de idade, casado com Maria de Lurdes Alves Barbosa Domingues e pai da Sandra, da Paula e do Jorge Domingues, colocou termo à vida, por enforcamento.

Vítima de uma depressão de elevado grau, o Manuel sentiu os primeiros sintomas da doença há 14 anos. Tinha então 43 anos. Depois de devidamente tratado, a doença estagnou, retomando a vida normal até que, há 3 anos, a depressão voltou, repetindo-se nos anos seguintes.

Depois dos tratamentos nos anos anteriores, a doença ataca de novo o Manuel a partir de finais de Julho. Com o apoio da família, estava a ser assistido por diversos médicos da especialidade, tendo-lhe sido alterada a medicação na tentativa de suprir a doença. Fonte familiar adiantou ao Notícias de Coura que o Manuel passou por um enorme sofrimento e evitava o contacto com as pessoas, refugiando-se em casa.

No fatídico dia, resolveu deslocar-se a uma propriedade nos limites com a freguesia de Bico, argumentando que iria controlar umas águas de rega de um campo.

Estranhando a demora, o filho e o genro foram na procura do Manuel, deparando- se com o horrível quadro de suicídio, por enforcamento.

Consumado o tresloucado acto, nada havia a fazer, a não ser alertar as autoridades responsáveis, que se deslocaram ao local para as diligências habituais nestas tristes situações.

Cumpridas as formalidades legais, o corpo foi removido para o Centro Hospitalar do Alto Minho, em Viana do Castelo, para a realização da respectiva autópsia, transitando depois para a igreja paroquial, antes de ir a sepultar no cemitério da freguesia, num funeral acompanhado por uma multidão de gente anónima que, dessa forma, prestou uma última homenagem ao finado, associando-se à dor que abalou a família.

Castanheira perdeu um grande valor activo. Para trás fica a vida de um homem de trabalho, ligado à construção civil, onde era mestre exímio, para lá da intensa actividade na área agrícola familiar.

Apesar de uma vida preenchida, o Manuel da Veiga ainda conseguia tempos livres para se dedicar a causas sociais, culturais e religiosas. Era presença assídua nas celebrações das missas dominicais, auxiliando, com raro denodo, em algumas tarefas dos actos litúrgicos. Foi ainda elemento activo na vida da freguesia, servindo diversas confrarias, tendo também integrado a Assembleia de Freguesia durante um mandato e os órgãos directivos da Associação Cultural e Desportiva a quem sempre dispensou a sua anónima e prestável colaboração.

Nesta hora de dor e luto, resta deixar uma mensagem de incentivo e coragem à família enlutada, curvando-nos perante a memória do saudoso Manuel Domingues.

Até um dia amigo.

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