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VITOR PAULO PEREIRA EM BALANÇO QUE PROJECTA O FUTURO: “Não podemos dormir à sombra do sucesso”

23 de Outubro de 2018 | Marlene Cunha
VITOR PAULO PEREIRA EM BALANÇO QUE PROJECTA O FUTURO: “Não podemos dormir à sombra do sucesso”
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Com o segundo mandato ainda em ritmo de passeio, mas embalado por um primeiro mandato que lhe granjeou uma maioria inequívoca nas últimas eleições autárquicas, Vítor Paulo Pereira é o primeiro a dizer que o concelho não pode parar. E por entre projectos para o futuro, que prometem continuar a marcar Paredes de Coura quando deixar a Câmara, fala ainda da oposição e das decisões difíceis que também já teve que tomar.

“O futuro de Coura? O futuro de Coura é não dormir à sombra do sucesso. Quem o faz morre rapidamente”, começa por dizer Vítor Paulo Pereira quando questionado sobre o que projecta para o futuro do concelho.  E, concretiza, “o que temos de fazer é, muitas vezes, sermos nós próprios a construir o nosso próprio sucesso para que coisas novas surjam”.

“Há uma coisa que não tenho a mínima dúvida: o futuro pertence à coragem. À coragem de correr caminhos novos que não trazem, inicialmente, multidões ao território”, explica o responsável do município courense, para quem “é mais inteligente trilhar agora um caminho mais difícil, que não traz no imediato tantos resultados, mas que no futuro contribuirá para um desenvolvimento mais consolidado, mais forte, com bons resultados”. Isto por oposição ao “cair na tentação de copiar modelos vizinhos, que trazem muita gente, muitas vezes, ao território, mas daqui a dez anos não está lá nem uma pessoa”. É que, afiança, “são modelos de desenvolvimento obsoletos, ligados a uma geração mais envelhecida e que, portanto, não têm grande futuro”.

O futuro de Coura passa, continuará a passar, pela aposta determinante na educação e na cultura, que muitas críticas tem granjeado por parte da oposição. Mas aos críticos Vítor Paulo Pereira responde com… o resultado eleitoral do ano passado. “O último resultado eleitoral atesta que a aposta na cultura foi uma decisão apreciada pelos courenses”, refere o autarca, acrescentando que “os pais das nossas crianças compreendem que o bem mais precioso que lhes poderão legar é a educação e a cultura”. “Um jovem de Coura que tiver boa formação escolar e boa formação cultural, naturalmente, quando ingressar no mercado de trabalho tem as ferramentas necessárias para ter sucesso”, considera.

Sobre a oposição, e sobre o facto de, em virtude dos resultados eleitorais do ano passado, ter ficado sem qualquer elemento da oposição na vereação, Vítor Paulo Pereira prefere não se alargar em comentários. “Temos o tempo tão preenchido e ocupado, procuramos responder a todas as solicitações que nem tomamos consciência se a governação era mais difícil com oposição na vereação ou não”, esclarece, explicando que “honestamente, não senti mudanças por não ter vereadores da oposição”. “As opiniões diferentes também se podem manifestar na Assembleia Municipal que é um bom palco de debate”, diz a propósito.

 

 

 

Decisões difíceis e arriscadas

 

Aliás, ainda na última Assembleia Municipal o grande assunto em discussão motivou troca de opiniões entre o partido no poder e a oposição. A questão da parceria para a constituição das Águas do Alto Minho mostrou diferenças entre os dois lados, mas, diz Vítor Paulo Pereira, também mostrou convergências. “Como disse na altura, foi uma decisão difícil, mas necessária. O PSD também concordou que o aumento do preço da água teria de acontecer, forçosamente”, diz o autarca, para quem “não havia outra forma, com as exigências da ERSAR e dos regulamentos nacionais e comunitários. Exigia um esfoço de investimento que as autarquias não teriam capacidade para suportar”.

“Havia alternativa? Não!” Pergunta e resposta prontas do presidente do município que, contudo, reconhece que o aumento vai ser substancial e que cabe agora à Câmara “arranjar formas de atenuar o impacto desse aumento, sobretudo nas pessoas com mais dificuldades”. “Se não aderíssemos não teríamos a hipótese de concorrer aos fundos comunitários. Com esta parceria vamos dispor de 8 milhões de euros para investir na rede”, lembra o autarca.

Mas, se há decisões difíceis, outras há que são simplesmente arriscadas.  A aposta na alimentação vegetariana não é de agora, mas sempre foi vista como um risco. Para Vítor Paulo Pereira, contudo, não é assim. “As pessoas muitas vezes riem-se da nossa aposta na alimentação vegetaria”, diz aquele responsável, que lembra um outro passo nessa caminhada que vai ser dado em breve, com a criação de uma oficina de bio-negócios, anúncio feito aquando do último Congresso Vegetariano. “Esta aposta na alimentação vegetariana cria um contexto favorável ao aparecimento de novos negócios. Obviamente negócios ligados à sustentabilidade, à alimentação vegetariana, à inovação”, explica o autarca, informando que alguns desses negócios são de Coura, mas que “já temos alguns contactos fora de Paredes de Coura. A oficina de bio-negócios vai ser para enquadrar todos os projectos e apoiá-los na fase inicial que é a mais difícil”.

Este novo projecto deverá ocupar um dos espaços do, no futuro, requalificado e remodelado mercado municipal, espaço que irá ter outras funções. “Vai estar aberto ao pequeno comércio, a pequenas empresas que se queiram instalar, ligadas a projectos que sejam importantes para o desenvolvimento de Coura”, esclarece Vítor Paulo Pereira. Projectos ligados à tradição ou à tecnologia. E, acrescenta, “não é só o mercado”. Isto porque também o espaço envolvente será requalificado, transformando-se num jardim para lazer “com espaço para os miúdos andarem de bicicleta, espaços de lazer debaixo das árvores, um espaço mais bonito, aprazível e mais perto do centro da vila”, explica, “para que a vila fique mais bonita e ao serviço das pessoas”.

Para mais breve está a conclusão de outros projectos. O centro de BTT, na Área Protegida do Corno de Bico. A requalificação da Central de Camionagem, “que vai dar mais conforto e dignidade àquele espaço”. E ainda os Meandros do Coura, percurso junto ao rio, que está já também em fase de conclusão. “Será uma base importante para o turismo de Paredes de Coura”, diz Vítor Paulo Pereira, que evita comparações com outras estruturas do género existentes no país. “Não queremos que seja um percurso cheio de infra-estruturas, com muita madeira, com muitos passadiços. Queremos que as pessoas percorram as margens do Coura e sintam o património natural como ele existia no passado”. Ou seja, clarifica, “distinguir pela autenticidade e pelo respeito quase integral pela natureza”.

Educação e Cultura são peças importantes do trabalho deste executivo. Quem o diz é o presidente da Câmara

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