Continuando o périplo pelos novos presidentes de Junta, resultado das últimas eleições autárquicas, o Notícias de Coura viajou até à sede do concelho, ao encontro do novo timoneiro da União de Freguesias de Parede de Coura e Resende. Anselmo Manuel Rodrigues, casado, 2 filhos, 67 anos de idade, aposentado da função pública, residente no Lugar da Nogueira, Paredes de Coura, é o novo dono da cadeira do poder da União de Freguesias de Paredes de Coura e Resende, a maior do concelho em termos de eleitores. Longe dos holofotes partidários, o Anselmo encabeçou uma lista de cidadãos independentes, sendo a única alteração no mapa político concelhio, comparativamente com as eleições de 2021, ao arrebatar a única Junta de Freguesia perdida pelo Partido Socialista nestas eleições. Procurando dar voz ao protagonista desta alteração do mapa autárquico concelhio, registámos, na primeira pessoa, o depoimento do novo presidente desta União.
Sendo uma estreia absoluta na vida política autárquica, como surgiu a oportunidade de encabeçar uma lista candidata à Assembleia da União de Freguesias de Paredes de Coura e Resende?
Sendo a minha estreia absoluta na vida política autárquica, a candidatura surgiu de forma muito natural. Ao longo dos anos fui acompanhando de perto a realidade da União de Freguesias, quer enquanto cidadão, quer enquanto participante activo na comunidade. A certa altura, um grupo de pessoas começou a desafiar-me a dar o passo em frente, acreditando que poderia trazer uma nova forma de estar, mais próxima das pessoas e mais focada na resolução prática dos problemas. Depois de muita reflexão, entendi que fazia sentido assumir essa responsabilidade.
Quais as razões e quais os motivos mais fortes que o impulsionaram a candidatar-se, e a enveredar pela actividade política?
O principal motivo foi o sentido de responsabilidade cívica. Sempre acreditei que é importante não ficar apenas na crítica, mas também estar disponível para ajudar a construir soluções. A vontade de contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas, de ouvir mais e decidir melhor, foi decisiva. Não foi uma decisão tomada por ambição política, mas sim por compromisso com a terra e com as pessoas.
Numa lista independente, sem qualquer conotação a partidos políticos, como decorreu a formação da lista apresentada ao eleitorado? Foi fácil cativar as pessoas ou, pelo contrário, foi uma tarefa complicada?
A formação da lista foi um processo exigente, mas muito positivo. Sendo uma lista independente, quisemos juntar pessoas de diferentes áreas, idades e sensibilidades, todas com um forte sentido de compromisso com a freguesia. Não foi sempre fácil cativar, porque exige disponibilidade e entrega, mas acabou por ser gratificante perceber que ainda há muita gente disposta a dar o seu tempo em prol do bem comum.
Fora das lides autárquicos, que conhecimentos tinha sobre a realidade da União de Freguesias? Estava por dentro dos principais dossiers da Junta de Freguesia?
Antes de assumir funções, já tinha um bom conhecimento da realidade da União de Freguesias. Sempre mantive uma ligação próxima à comunidade, conhecendo as suas dinâmicas, as preocupações mais frequentes da população e os pontos fortes e fracos do território. Naturalmente, só no exercício do cargo se ganha uma visão mais completa do funcionamento interno, mas a vivência no terreno e o contacto directocom as pessoas deram-me uma boa base para iniciar este trabalho.
Há cerca de 4 meses na cadeira do poder, como encontrou o estado da autarquia desta União de Freguesias? Era o que esperava, ou encontrou algo de anormal, positiva ou negativamente?
Encontrei uma autarquia com aspectos positivos, mas também com alguns problemas que tinham de ser resolvidos com urgência. Algumas situações estavam dentro do esperado, outras exigiram uma intervenção mais imediata, tanto ao nível da organização como de prioridades que não podiam ser adiadas. Nada de anormal, mas ficou claro desde o início que era necessário agir rapidamente em determinados assuntos para garantir o bom funcionamento da Junta.
Para lá do manifesto eleitoral apresentado ao eleitorado, normalmente um conjunto de boas intenções, quais as principais apostas e prioridades neste mandato da Junta a que preside?
Para além do manifesto eleitoral, as principais prioridades passam por uma gestão rigorosa e transparente e, sobretudo, por chegar a toda a população. Queremos estar próximos das pessoas, ouvir todas as necessidades que nos vão sendo partilhadas e dar resposta, dentro das nossas competências, a essas preocupações. Essa proximidade inclui uma atenção muito especial às pessoas mais vulneráveis, que muitas vezes necessitam de maior acompanhamento. Apostamos muito na manutenção, na limpeza, e numa relação de cooperação com a Câmara Municipal, porque só em conjunto se conseguem resultados duradouros.
Em que vertentes acha que esta União de Freguesias de Paredes de Coura e Resende está mais deficitária? E já agora, quais as maiores valorizações da freguesia?
As maiores fragilidades prendem-se, em alguns casos, com infra-estruturas envelhecidas e com necessidades sociais crescentes. Por outro lado, esta União de Freguesias tem enormes valorizações: uma comunidade participativa, uma localização privilegiada, associações dinâmicas e um forte sentimento de pertença. Esses são activos fundamentais para o futuro.
Nestes primeiros tempos na presidência da Junta deste União de Freguesias, as maiores do concelho, em termos de eleitorado, as expectativas são as que esperava, ou existe algo que o tenha surpreendido?
As expectativas, em grande medida, confirmaram-se, mas houve também algumas surpresas. Antes de assumir funções, temos sempre uma ideia do cargo e das responsabilidades, mas só no terreno se percebe verdadeiramente o impacto das decisões e a atenção constante que a função exige. Surpreendeu-me, de forma positiva, a proximidade com a população e a forma directacomo as pessoas partilham os seus problemas e preocupações, o que reforça a importância de uma Junta aberta, acessível e próxima de todos.
Que balanço faz destes primeiros meses de trabalho? Tem sido uma tarefa complicada? Como é gerir duas freguesias com a maior taxa populacional do concelho?
O balanço destes primeiros meses é globalmente positivo, embora bastante exigente. Tem sido um período de muita aprendizagem, adaptação e trabalho intenso. Gerir duas freguesias, com a maior taxa populacional do concelho, implica responder a realidades distintas, a necessidades variadas e a um volume elevado de pedidos. Isso exige organização, espírito de equipa e uma grande capacidade de escuta. Apesar das dificuldades, sinto que estamos a construir bases sólidas para o futuro, sempre com o objectivo de servir melhor a população.
A centralização das freguesias tem sido um tema polémico nos últimos anos, havendo muitas vozes contra a forma utilizada na agregação. Que opinião tem sobre o este assunto, agora que preside a uma União com o maior número de eleitores do concelho?
A agregação das freguesias foi um processo polémico e compreendo muitas das críticas feitas. Hoje, enquanto presidente de uma União de Freguesias com o maior número de eleitores do concelho, acredito que o essencial é tirar o melhor partido desta realidade, garantindo proximidade, equidade e representação justa para todas as populações, independentemente do modelo administrativo.
Quais os elementos que integram o executivo, nomeadamente o secretário e tesoureiro da Junta de Freguesia, bem como o presidente da Assembleia de Freguesia?
O executivo é composto por pessoas com percursos e competências complementares. A secretária é a Andreia Filipa Brandão Carvalho e o tesoureiro é o José Carlos da Cunha, que têm sido peças fundamentais no funcionamento da Junta, tal como a presidente da Assembleia de Freguesia, Carla Sofia Pereira de Almeida, com quem mantemos uma relação próxima, sempre com o objectivo comum de servir a população.
Para terminar, que mensagem pretende deixar às gentes de Parede de Coura e Resende?
Quero deixar uma palavra de agradecimento e de compromisso às gentes de Paredes de Coura e Resende. Agradeço a confiança depositada e reafirmo que continuarei a trabalhar com seriedade, proximidade e dedicação. A Junta está aberta às pessoas, às ideias e às críticas construtivas, porque só assim conseguimos construir uma freguesia melhor para todos.










