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Publicação quinzenal dedicada à informação local de Paredes de Coura. Aqui encontra notícias, reportagens, entrevistas e agenda cultural do concelho. Um espaço de proximidade que dá voz à comunidade courense.

Destaques

Carolyn Bessette-Kennedy, a nova tendência de moda.

30/03/20264 Minutos de Leitura
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O tema de hoje, surgiu da frase que mais tenho ouvido tanto na rua como nas próprias redes sociais. Trata-se da generalização de um estilo, a uma dada pessoa. Que neste caso é Carolyn Bessette, onde “toda gente”, ou pelo menos grande parte dela, procura recriar a ideia do que era o seu guarda-roupa.

Esta nova tendência surgiu com a grande adesão à série de Ryan Murphy “Love Story”, que assenta na sua relação complexa com John F. Kennedy Jr. No entanto, Carolyn sempre fora uma figura emblemática nos anos 90 pela sua elegância minimalista.

Mas esta figura norte-americana, não se limitou a ser apenas a mulher do filho do antigo Presidente dos EUA, ela foi arquitecta de um dos legados visuais mais persistentes no século XX. Já antes de se juntar à realeza americana, passou de vendedora a directora de relações públicas da Calvin Klein, moldando a identidade da marca durante esse período. Foi nessa época que refinou o seu uniforme, o minimalismo radical, as cores neutras desde preto, bege e branco e a rejeição total de logotipos e excessos.

Mas Carolyn Bessette-Kennedy era mais do que uma estética replicável, era, acima de tudo, uma presença. Discreta, reservada e quase enigmática, que contrasta fortemente com a cultura de exposição que hoje domina. Evitava entrevistas, não procurava protagonismo mediático e, ainda assim, tornou-se num dos rostos mais fotografados da sua geração. Esse paradoxo contribuiu para o seu fascínio: quanto menos dizia, mais era observada.

A sua relação com os media foi uma das facetas mais marcantes da sua vida pública. Era constantemente “perseguida” pelos paparazzi, que a obrigaram a criar uma “armadura silenciosa”, e o seu vestuário acabou por funcionar como protecção. Óculos escuros, linhas simples e cortes estruturados, criando uma barreira entre o privado e o público, reforçando, deste modo, a sua imagem de inacessibilidade.

Recentemente, o seu nome tem vindo a surgir, devido à série “Love Story”. Nesta produção retrata-se não só o romance mediático entre ela e John F. Kennedy Jr bem como as tensões provocadas pela constante exposição pública, criando uma nova perspectiva desta história amplamente romantizada. Tal como é usual, também este enredo foi sujeito a uma tendência para a dramatização e simplificação de certos aspectos da realidade. Que não corresponde na totalidade à complexidade da verdadeira Carolyn.

Este fenómeno tornou-se ainda mais evidente com a resposta da própria indústria da moda. Marcas como a Massimo Dutti já lançaram colecções e peças onde a referem como inspiração. Esta apropriação comercial demonstra como o estilo de Carolyn continua relevante, mas também levanta questões sobre a transformação de uma identidade pessoal num produto de consumo massificado.

No entanto, aquilo que hoje vemos nas redes sociais levanta questões pertinentes: “Será possível recriar verdadeiramente o estilo de alguém, ou estaremos apenas a imitar uma superfície estética sem compreender a sua essência?” e, importante ainda, “É realmente saudável procurar vestir-nos como outra pessoa?”

O estilo de Carolyn não se resumia às peças que vestia, mas à forma como as usava. Havia uma intenção clara na simplicidade, uma confiança silenciosa que não dependia de tendências passageiras nem da validação externa. O minimalismo que hoje se tenta replicar transforma-se, muitas vezes, num conjunto de regras rígidas, quase como um uniforme vazio de identidade própria. O que não é de todo a ideia principal em que Carolyn se baseava.

Deste modo, a massificação deste dito “Estilo Carolyn” acaba por contradizer o que o tornava tão especial: a Individualidade. Quando todos tentam parecer iguais, perde-se precisamente o que a tornava única. A elegância não está apenas no que se veste, mas na autenticidade com que se vive. A comparação, na minha opinião, não é saudável, e apesar de já muitos de nós termos o estilo minimalista no nosso dia-a-dia, não acho correcto a pressão que criamos em nós próprios para copiarmos a forma de vestir e até mesmo as próprias peças.

Talvez, devêssemos mudar o nosso olhar, e ao invés de nos inspirarmos na forma de vestir de Carolyn Bessette-Kennedy, procurarmos vê-la como exemplo da liberdade de construir o nosso próprio estilo, sem a necessidade de criar rótulos ou comparações. Porque, para mim, estilo não se trata de copiar, mas sim de ser.

Sandra Fernandes

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