Um defeito muito grande existente na nossa sociedade que sempre me incomodou, é a tendência para rotular a inteligência dos mais jovens segundo as notas. Isto é, a meu ver, um gigantesco erro. Existem falhas no sistema de educação, e nós, como seres humanos dotados de racionalidade, temos de aprender a questionar mais e a ser mais críticos.
A inteligência de uma criança não se define por um pouco de tinta num pedaço de papel, vai muito mais longe do que isso. Existem nove tipos de inteligência, e o sistema escolar só explora três. Os limites são inúmeros, e estes diferentes tipos de mentes são obrigados a permanecer dentro da mesma caixa durante os seus anos de estudante. Errado. Se alguém é mais competente numa coisa do que noutra, o seu foco deveria ser aquilo em que se destaca. Mas em vez disso limitamo-nos a medir a sua inteligência com base naquilo em que a pessoa falha, eliminando qualquer tipo de destino que poderia, quem sabe, abrir-lhe portas.
O sistema escolar é, muito sinceramente, apenas um mecanismo desenhado para os cidadãos terem todos o mesmo destino: andar doze anos na escola, entrar na universidade, concluir a licenciatura, procurar trabalho, trabalhar, e por fim contribuir para a economia do país. A escola já não é mais um sítio de aprendizagem. Muito pelo contrário, está a perder essa capacidade cada vez mais. O sistema escolar apenas nos ensina a memorizar factos. Não nos incentiva a ter um pensamento crítico e a formar uma opinião. Acaba também por influenciar mais os jovens a recorrer a ferramentas que encurtarão a sua
capacidade intelectual, como a inteligência artificial. Este sistema escolar nem nos permite avançar como humanos. Num mundo onde o conhecimento já é tão vasto, este sistema apenas se limita a obrigar os estudantes a decorar o que já fora descoberto. Mas será assim que evoluímos? Não.
Precisamos de questionar para evoluir. Necessitamos de criatividade e das perguntas certas. Mas como faremos nós isso se nunca nos fora dada a oportunidade de aprender a fazê-lo? Ser inteligente não é sinónimo de saber palavra que diz um livro. Ser inteligente é adquirir conhecimento e procurar uma forma de o tornar útil. É parar e pensar, reflectir, opinar, criticar e questionar. Como iremos então questionar para avançar se os jovens de hoje não desenvolverem a sua capacidade de pensamento crítico? É necessário pensar fora da caixa, obter conhecimento extra-escolar, conhecer pessoas novas, experienciar diversas coisas, abrir os horizontes e questionar muito. Não deveríamos estar submetidos à mesma exaustiva e pouco eficaz rotina de aprendizagem durante mais de uma década. Embora se pense que aprendemos mais, acabamos por não ficar mais inteligentes.
O mundo precisa de alguém inovador, alguém que veja e que não somente observe. Alguém que escute em vez de apenas ouvir. Alguém que reflecte, cria uma opinião e procura, com todo o fervor possível dentro de si, uma maneira de melhorar certa questão. É preciso alguém com capacidade crítica, alguém assertivo e dedicado para poder apurar o conhecimento do mundo.
Deixemo-nos do entediante e ultrapassado sistema escolar. Chega de memorizar factos, vamos incentivar a ponderar, reflectir, opinar e questionar. Vamos procurar maneiras de desenvolver mais os restantes tipos de inteligência, e proporcionar mais apoio aos que se destacam num específico tipo de inteligência.
Leonor Alves Silva










