O livro “Ecrãs, um Desastre Sanitário. Ainda Vamos a Tempo de Agir”, de Servane
Mouton, publicado em Portugal, em janeiro de 2026, e que se lê num abrir e fechar de
olhos, analisa o impacto das tecnologias digitais no contexto social, com base em
relatórios internacionais, destacando a necessidade de um uso regulado, crítico e
responsável dos dispositivos digitais por crianças e jovens.
As recomendações defendem a importância da mediação parental, da literacia digital, da
formação de professores, da prevenção de riscos e da responsabilização das plataformas,
partindo do princípio de que a tecnologia deve apoiar o desenvolvimento humano, e
jamais o substituir.
É proposto um uso diferenciado dos ecrãs consoante a idade: evitar a exposição até aos
3 anos; limitar e acompanhar dos 3 aos 6 anos; estabelecer regras progressivas dos 6 aos
11 anos; reforçar a literacia digital dos 12 aos 15 anos; e promover a responsabilidade
digital dos 16 aos 18 anos. Além disso, defendem-se medidas transversais, como
verificação de idade, proteção contra conteúdos impróprios, ferramentas parentais e
campanhas de sensibilização.
Servane Mouton propõe, relativamente às crianças e aos jovens, uma abordagem
baseada no controlo e não na proibição, alertando para os diversos perigos que daí
advêm, com incidência na saúde, no ambiente e na educação, perguntando: «e como
vamos nós, adultos, na nossa relação com os dispositivos digitais, e em particular com o
nosso telemóvel?»
Relativamente aos telemóveis nas escolas, destaca os efeitos positivos da sua proibição,
como maior concentração nas atividades de aprendizagem, bem como de maior
socialização, passando os recreios a ter outra vivacidade, para além de haver mais
pernas e braços partidos, como uma psicóloga disse num encontro sobre essa temática
realizado na Casa do Conhecimento de Paredes de Coura.
Em Portugal, há medidas legais que regulam o uso de dispositivos móveis nas escolas e
o acesso às redes sociais. Destaca-se, em 2025, a proibição de telemóveis nos primeiros
dois ciclos do ensino básico, bem como de um projeto de lei que está em discussão na
Assembleia da República, para limitar o acesso às redes sociais a menores de 16 anos.
Estas políticas alinham-se com a regulação europeia, que procura promover uma
internet segura, proteger os menores e reforçar a educação digital, num contexto em que
a formação sobre o uso das redes sociais é um problema pessoal, mas, acima de tudo, de
âmbito sanitário, dados os efeitos negativos que se prendem com a saúde mental, e que
“Adolescência” (minissérie britânica, de 2025) evidencia de um modo muito
preocupante.
José Augusto Pacheco











