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Urge preservar as mamoas

15 de Setembro de 2015 | Agostinho Sá
Urge preservar as mamoas
Porreiras

Mamoa ou tumulus é uma palavra de origem românica que se refere a monumentos com aproximadamente 6 a 7 mil anos, construídos pelas comunidades neolíticas e destinados a enterrar os seus mortos, pela sua semelhança com o seio de uma mulher – mammulas.

Uma mamoa consiste num montículo artificial que cobre um dólmene pode ser de terra, revestida por uma couraça de pequenas pedras imbricadas, ou ser apenas constituída por pedras.

Nos muitos casos existentes em Porreiras, o que resta são exactamente vestígios dessas coberturas, bem como alguns esteios que fariam parte dos túmulos originais.

As mamoas apresentam, geralmente, uma forma oval ou circular, tornando-se cada vez mais raras devido aos agentes erosivos e às violações de que foram alvo: procura de artefactos valiosos, recolha de pedras para construção, terraplanagens para florestação e construção, construção de caminhos agrícolas e florestais…

No nosso concelho ainda existem muitas necrópoles, algumas inéditas, amplamente estudadas por Maria de Fátima Matos Silva, na sua tese de doutoramento, explanando que as mamoas estão normalmente dispostas em grupos, ocupando zonas planas, normalmente planálticas, em regra pobres para a agricultura e à margem de caminhos ou locais visíveis, como é o caso de Porreiras.

Presume-se que cada núcleo ou grupo de mamoas fosse construído para sepultar antepassados com destaque social de uma determinada família ou linhagem, funcionando como referência para gerações seguintes.

As mamoas eram edificadas com pequenas pedras e terra e tinham como finalidade proteger um dólmen, cobrindo-o completamente. O seu tamanho é variável, podendo atingir cerca de quarenta metros, tapando completamente a câmara e o corredor. O revestimento das mamoas, bastante visível na altura da sua construção, tem vindo a degradar-se também devido à vegetação e à erosão.

A existência destas necrópoles no planalto de Porreiras, num pequeno espaço físico, sugere que as populações aí residentes eram numerosas, abastadas e socialmente estáveis, com capacidades excepcionais no que concerne à construção e manutenção destes espaços.
Dada a importância destes núcleos, a falta de sensibilidade e de conhecimentos em relação a estes monumentos, o que resulta na sua destruição, torna-se necessária a sua inventariação, lim peza, vedação, colocação de painéis informativos, e consciencialização do público em geral para a existência de monumentos que podem ter mais de 7 mil anos.
Tudo isso já foi alvo de candidatura à medida Agris pela Junta de Porreiras, em conjunto com a Adriminho, em 2003, o que também não susci tou interesse ao gestor do projecto, alegando insuficiência financeira, salve-se a reconstituição do interior de uma mamoa no parque de lazer dos Agueiros.

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