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Jovem Courense Sara Cunha, a menina que corre como gente grande

5 de Setembro de 2017 | Manuel Tinoco
Jovem Courense Sara Cunha, a menina que corre como gente grande
Desporto

“NO ATLETISMO TEMOS O PRAZER DE SENTIRMOS QUE NOS SUPERAMOS”

Aos 14 anos de idade, Sara Cunha é já uma promessa refulgente do atletismo distrital. O seu brilho tem iluminado estradas e pistas minhotas ao longo de quase quatro anos de prática da modalidade.

Courense natural de Santa, Sara Isabel Barbosa da Cunha ainda corre no escalão de Iniciados, primeiro ano, todavia os seus créditos já vão ultrapassando as fronteiras distritais, prova disso mesmo é o interesse do Boavista em assegurar o seu concurso já na próxima temporada. Prestes a entrar para o 9º ano, que acumula com outro dos amores da sua vida, a música, esta menina longuilinea de raízes moçambicanas prefere manter-se, “por enquanto”, ao serviço do Clube Natação e Cultura de Paredes de Coura, perto da família e dos afectos que a farão crescer harmoniosamente. Um dia, quem sabe, teremos a nossa Sara a envergar a camisola de uma potência do atletismo nacional.

Menina de trato delicado e olhar inquieto, a Sara galga quilómetros sem fim, seja no corta-mato, na estrada ou na pista, somando títulos distritais e quase pedindo desculpa por ser uma das melhores atletas minhotas de meio-fundo, no que ao seu escalão etário respeita.

Como começou o atletismo na tua vida?

Foi o Luís Sá quem me descobriu. Houve um corta-mato escolar, ele foi ver e achou que eu tinha condições. Logo aí, falou com a minha mãe e convidou-me para aparecer nos treinos do Clube Natação e Cultura.

Lembras-te da tua primeira prova?

Perfeitamente. Foi um corta-mato em Cerveira, tinha eu 11anos. Era Benjamim. Senti logo aí que gostava disto. Senti que valia a pena continuar. Sabe, no atletismo temos o prazer de sentirmos que nos superamos.

 

Como vences o esforço naqueles momentos em que todos achamos que já estamos no limite?

Sabe, penso assim: “falta pouco, falta pouco, tu consegues”. E, no fim, apesar do cansaço, é uma grande satisfação percebermos que vencemos as dificuldades.

Quantas vezes treinas por semana?

Só treinamos duas vezes por semana, pouco mais de uma hora, faça sol ou faça chuva. Somos um grupo de seis jovens que percorremos as estradas da Vila, não havendo grandes condições se compararmos com os atletas de outros concelhos. Por vezes treinamos na praia fluvial, nas zonas industriais e até nos parques subterrâneos, em dias de muita chuva.

Que tipo de condições?

Olhe, o clube procura não nos faltar com nada, oferece-nos transporte da escola para o treino e depois para casa, transporte para as provas, lanche nos dias das provas, equipamentos e fatos de treinos, e não temos que pagar qualquer mensalidade. Contudo, precisávamos de uma pista ou de um local onde, por exemplo, não fosse perigoso treinar. É que até estamos sujeitos a ser atropelados, naquelas noites invernosas, escuras em que o próprio treino acaba por ser um risco.

Apesar da falta de condições tens tido muito bons resultados.

Esta época, fui campeã regional de Corta-mato Longo Jovem; venci o Km Jovem Regional, na pista de Melgaço; também em Iniciados, fui campeã regional dos 1500 Pista; e em Juvenis consegui igualmente ser campeão regional dos 1500 metros. Tive ainda vários segundos lugares, quer em estrada quer em corta-mato. Fui seleccionada para a Selecção de Viana do Castelo no KM Jovem Nacional, no Alentejo. Não esquecendo também que fiquei apurada para a fase nacional do Corta-mato Escolar, tendo ficado em 6º lugar, em Torres Vedras. Na época de 2015/2016, fui vice-campeã regional de Corta-mato em Infantis, uma conquista que também considero importante.

Portanto, fazes um balanço positivo da época?

Foram realmente bons resultados a nível individual, foi pena, no entanto, não ter conseguido vencer o Circuito Distrital de Milhas, perdido por centímetros em cima da meta. Também lamento não ter vencido a Milha Urbana de Paredes de Coura, na qual apesar de ter dado o meu melhor fiquei em segundo lugar. Fiquei muito triste porque tinha um sabor especial ter vencido na minha terra.

Como concilias a música com o atletismo?

Com muita paixão e força de vontade. Também gosto muito da música, toco flauta transversal na Academia de Viana do Castelo. Sei que tenho de abdicar de algumas coisas próprias da idade, mas não me importo. Vou para a cama às nove horas, mas sei que o faço para bem da carreira.

Quando olhas para o teu futuro vês o atletismo?

Vejo sim, mas gostava de ser jornalista. Não sou má aluna, acho que tenho jeito para escrever e gosto de ir ao pormenor das coisas. Desde criança que até a minha mãe me diz que sou muito curiosa.

 

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