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Publicação quinzenal dedicada à informação local de Paredes de Coura. Aqui encontra notícias, reportagens, entrevistas e agenda cultural do concelho. Um espaço de proximidade que dá voz à comunidade courense.

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Quotidianos

30/03/20263 Minutos de Leitura
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Se, para a religião cristã, a “Bíblia” é o livro dos livros, “Metamorfoses”, de Ovídio, é a obra suprema da literatura, onde a beleza da palavra navega pelos mitos e histórias, numa alusão constante aos humanos e à sua relação com os deuses.

Leio e releio este livro de forma constante, porque jamais me canso de descobrir a força das palavras que nele fluem abundantemente, como “no regato sem remoinhos, deslizando sem rumor, transparente até ao fundo.”

Recorro, desta vez, a este autor latino para falar de Vítor Paulo e também da sua amizade profunda, que corre em águas cristalinas, não fosse a sua infância banhada pelo rio Coura, que desagua no mar da lealdade e dos afetos.

Se o erro humano faz parte da vida, e se, como político, Vítor Paulo escolheu dar passos de gigante no reino do impossível, o que dele fez tanto um homem de sonhos verdadeiros como de ação, testada pelo que é possível enumerar, constatar e evidenciar, a amizade, para ele, como para Ovídio, tem a força brutal da transformação que altera a nossa identidade, materializa-se numa vontade partilhada, na qual Coura é o centro dessa união telúrica, e converte-se em confiança, sinceridade e cumplicidade.

E foi com uma confiança total, ligada a uma rede emocional intensa, que, na primaveril noite de março, tantas e tantas pessoas — e apenas os que não sentem o que é a amizade se esforçam por contar os seus amigos —, de geografias diferentes e sensibilidades políticas diversas, se reuniram em torno de Vítor Paulo para lhe agradecerem o quão de extraordinário fez como presidente do município, durante os seus inesquecíveis anos de mandato.

Foi uma noite de grande partilha, de presença inolvidável e de descoberta de pequenas coisas que se recordam numa sentida conversa entre amigos, pois Vítor Paulo tem a perseverança inabalável de acreditar nas pessoas, de lhes falar ao coração e de as integrar na sua extraordinária rebeldia.

Das palavras ditas pessoalmente, cada um guarda-as para si como um tesouro inigualável, e das que se libertaram no imenso salão resultou uma teia humana tecida pelo reconhecimento e pela gratidão.

Para além de todas as palavras ditas e não ditas, cada olhar ficou, como diria Ovídio, “molhado do orvalho das lágrimas”, no íntimo e nas alegres faces de todos os presentes.

José Augusto Pacheco

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