Mais do que um simples programa, “Paredes de Coura — O caminho da autonomia da liberdade” (iniciado no dia 13 de abril, com a evocação dos 511 anos da criação do município, que prosseguiu a 25 de abril, sinalizando os 52 anos da Revolução dos Cravos, e terminou no dia 1 de maio, comemorativo do Dia do Trabalhador) foi um conjunto de eventos interligados que uniram passado e presente, com o pensamento focado no futuro, pois a liberdade é algo de extraordinário pelo qual se luta, e de que os mais jovens são os principais arautos desse sucesso que todos esperamos que jamais venha a enfraquecer.
A liberdade — de Paredes de Coura, de Portugal e do trabalhador — cruzou-se, assim, em eventos tão variados e participativos que será difícil dizer qual deles mais merece relevo.
Claro que ouso dizer que houve três que se destacaram, sobretudo pelo seu simbolismo ou pelo envolvimento dos diferentes públicos mobilizados.
O encontro com os alunos do ensino secundário, tendo como pano de fundo o foral de 1515 e o atual quadro do poder autárquico, permitiu refletir sobre o que é fundamental nesse mesmo poder: por um lado, a autonomia surgida no século XVI, no quadro da sua relação com o poder senhorial; por outro, as lógicas que justificam o exercício de um poder que tem sido subjugado pelo poder central, apesar das tímidas e incompletas medidas de descentralização que se têm verificado nas últimas décadas.
E que testemunhos frutificarão no futuro relativamente aos jovens estudantes? O Coro Livre Canta Abril, nascido de um projeto comunitário de natureza intergeracional, atuou no dia supremo da liberdade, revelando de que modo a paixão pela música e o sentido de partilha coletivo podem resultar num espetáculo de grande qualidade, mas, sobretudo, num convívio tão participativo entre músicos, cantantes e público, que só os poemas e as músicas de Abril podem proporcionar.
E, dada a composição etária do grupo, como será que tantas pessoas contarão a seus netos essa magnífica noite? Quanto ao espetáculo Sérgio & os Assessores — Liberdade 25, a minha análise pessoal
é bastante simples.
É sobremaneira conhecida a qualidade musical de Sérgio Godinho, mas a participação dos alunos da oficina de música de Paredes de Coura (inserida nas atividades extracurriculares dinamizadas pela Academia de Música de Viana do Castelo), numa sintonia perfeita com o cantor de renome, foi o momento em que um sonho improvável esvoaçou pelo auditório, completamente cheio, do centro cultural. E como recordarão as crianças, que têm nas suas mãos o futuro da liberdade, essa noite mágica cheia de Abril?
Parece evidente, em suma, que os três eventos se uniram pela mesma certeza: a liberdade aprende-se, declama-se, canta-se e, sobretudo, passa-se de mão em mão.
José Augusto Pacheco










