Shopping cart

Subtotal $0.00

View cartCheckout

Publicação quinzenal dedicada à informação local de Paredes de Coura. Aqui encontra notícias, reportagens, entrevistas e agenda cultural do concelho. Um espaço de proximidade que dá voz à comunidade courense.

Opinião

Quotidianos

08/07/20253 Minutos de Leitura
0 3
340

A notícia é o elo de ligação entre as pessoas. Mas com as tecnologias digitais a diferença reside no facto de tudo se saber quando tudo acontece, como se a notícia fizesse parte da nossa pele.

Somos, deste modo, convidados a estar por dentro das notícias quase ininterruptamente, bem como a transportar em nossos bolsos um mundo que está em constante ebulição.

O que é expetável é que a notícia seja límpida como a água do rio Coura, ou dos seus muitos regatos que lhe alimentam o caudal. O mesmo se espera dos candidatos a um cargo político, mais ainda quando há verdades locais que não são suscetíveis de serem alteradas pela desinformação, que faz parte da sociedade da pós-verdade, em que atualmente vivemos.

Dizer a verdade é a base da credibilidade de uma notícia ou de um candidato, que facilmente se enreda em promessas vãs e tão generalistas que bem as poderia dizer em qualquer parte, usando a técnica de copiar e colar. Por isso, são necessárias as verdades locais para acreditarmos nas verdades nacionais e internacionais.

Porém, parece que é mais fácil proclamar a falsidade, de que as redes sociais e empresas de Internet se entopem propositadamente, do que dizer a verdade a partir da veridicidade dos factos.

Apesar de toda a imensidão de fontes, as notícias são muscularmente repetidas e, com frequência, entram no domínio da especulação e da propaganda. Com efeito, já não dá para acreditar em jornais, por exemplo, ou em canais televisivos ou, ainda, em redes sociais. Tudo é um deserto de notícias enviesadas e ideologicamente embrulhadas em propósitos de controlo, contribuindo sobremaneira para a liberdade negativa.

No seu magnífico livro “Da Liberdade” (2025), o historiador Timothy Snyder afirma que o jornalismo local é um serviço público, contribuindo para a credibilização das notícias e seus modos de dizer a verdade.

Com base noutros argumentos, já explorados por várias pessoas no NOTÍCIAS DE COURA, e também a partir da liberdade positiva que advém dos factos verdadeiros, o jornalismo local, e uma vez financiado pelo governo, é quem, sem dúvida alguma, diz a verdade – aquela verdade que se sente e se respira.

A verdade dos fatos (a tal verdade nua e crua que Fernão Lopes, no século XV, usou de forma irrepreensível) é a forma indispensável de liberdade, devido a diversas razões, como observa Snyder: quando perdemos essa verdade, a vida parece ainda mais caótica, o passado mais difícil de recordar, o futuro menos garantido.

José Augusto Pacheco

Notícias relacionadas