Última Hora

COURENSES QUE TÊM HISTÓRIA: MANUEL CARVALHO, A SOLIDARIEDADE FEITA PESSOA  

6 de Novembro de 2018 | Marlene Cunha
COURENSES QUE TÊM HISTÓRIA: MANUEL CARVALHO, A SOLIDARIEDADE FEITA PESSOA   
Geral

 

Continuando a trazer à estampa figuras da urbe courense que dedicam grande quinhão da vida a associações de carácter solidário e voluntário, o NC foi, desta feita, ao encontro de uma cara sobejamente conhecida de todos os courenses, e não só.

Manuel Ribeiro Vieira de Carvalho, casado, 69 anos de idade, pai de 5 filhos e residente na vila de Paredes de Coura é hoje o nosso destaque. Descendente da conceituada família Carvalho, o Manel é o mais velho de uma prole de 13 irmãos.

Carpinteiro de profissão, hoje a gozar da merecida aposentação, dedicou a vida a colaborar com instituições nobres do concelho, com principal enfoque na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários, para lá dos serviços prestados na Associação Benévola de Dadores da Sangue e na Casa Courense em Lisboa, sendo o representante daquela casa no concelho.

Bombeiro voluntário desde os 16 anos, onde se iniciou como aspirante, hoje integra o Quadro de Honra daquela nobre instituição. Ao longo dos 53 anos de dedicação à causa, são muitas as estórias e as narrações de uma vida de voluntariado.

Como quadros mais marcantes enquanto bombeiro, destaca o incêndio que em 1981 devorou os Paços do Concelho. Foi um incêndio difícil de combater e que criou em nós momentos angustiantes, adiantou Manel Carvalho.

Atrás, encoberto, Nelo Carvalho e carroça que atacava os incêndios, na década de 80

Década de sessenta, furgoneta dos Bombeiros dirigida por Nelo Carvalho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Falou-nos ainda de outras vivências, nomeadamente no auxílio a pessoas, destacando aqui, o socorro prestado ao doutor Janeca, quando este, ainda criança, caiu de um castanheiro, tendo sido perfurado por um pau. De imediato levaram o miúdo ao Centro de Saúde, e dali ao Pavilhão Cirúrgico do Hospital de Viana do Castelo, transportado-o no pronto-socorro da corporação, com uma maca de lona, pousada em quatro câmaras-de-ar, cedidas pela Empresa de Transportes Courense, sem retirar o pau que o tinha perfurado. Assim se valeu a uma vida humana.

Outras estórias e outras situações viveu ao longo da vida, tendo ajudado a socorrer muitas pessoas e bens, destacando ainda o auxilio prestado a Bento Rodrigues, taxista de profissão, figura conhecida no meio como o Bento da Praça. Pronta intervenção do Manel Carvalho salvou-lhe a vida numa situação de aflição.

Recorda, com saudade, as dificuldades da instituição, nos tempos em que os meios escasseavam. Os incêndios rurais eram uma aventura, sem meios para combate. Apenas os célebres malhos. Sempre que havia um incêndio numa aldeia sabíamos que tinha logo um carro de apoio. O senhor António Amorim e o senhor Cândido Brandão eram o nosso pronto-socorro, levando-nos sandes e bebidas para minorar as dificuldades no combate aos fogos.

Dentro da Associação Humanitária dos Bombeiros foi ainda responsável máximo pela saudosa fanfarra. Juntamente com o Zé Manel e o Francisco Sousa, efectuavam os ensaios no Campo de Jogos do SC Courense.

Nelo Carvalho (em cima à direita) dirigiu a saudosa Fanfarra dos Bombeiros

Resumidamente, fica o depoimento de um homem que sempre deu tudo de si em prol dos Bombeiros e outras instituições do nosso burgo.

Comments are closed.