Continuando a dar destaque aos novos presidentes de Junta de Freguesia, chegados à cadeira do poder no rescaldo das eleições autárquicas de Outubro de 2025, nesta edição, fomos ao encontro da nova presidente da Junta de Freguesia de Rubiães, curiosamente uma das duas mulheres comandarem os destinos de uma freguesia.
Sónia Alexandra Barbosa Ribeiro, casada, 45 anos de idade, mãe de 3 filhos, é a nova presidente da Junta de Freguesia de Rubiães. Depois de 12 anos a integrar o executivo liderado então por David Saraiva, a Sónia foi aposta forte do Partido Socialista na freguesia.
Rubianense sobejamente conhecida e activa na comunidade, esta engenheira agrária paisagística, actualmente a gerir um alojamento local, é a mulher dos sete ofícios. Para lá da presidência da autarquia, a Sónia Ribeiro é organista do grupo coral da paróquia de Rubiães, integra a comissão de Festas da Senhora da Expectação, sendo também elemento activo do Grupo de Bombos Figueiras na Rua.
De recordar ainda que Sónia foi, durante 6 épocas desportivas consecutivas, atleta preponderante de futsal federado, então a representar a equipa sénior feminina do Castanheira, tendo chegado ao clube em época de estreia em competições federadas, a época 2001/2002, tendo permanecido no clube até final da época 2006/2007.
Agora, no desempenho de funções politicas, com a nobre causa de servir a freguesia, nesta entrevista, a Sónia dá-se a conhecer um pouco melhor aos nossos leitores, falando das obras e os anseios que tem, para continuar a desenvolver a freguesia de Rubiães.
Com uma larga experiência em termos autárquicos, enquanto membro da Junta de Freguesia, e apesar da lei da paridade ainda não conseguir trazer à cadeira do poder um número significativo de mulheres, quais as motivações que a levaram a assumir a candidatura à presidência da Junta de Freguesia?
A decisão de integrar a lista foi difícil e não foi um sonho de infância. Somente no final de Agosto, depois de ouvir repetidamente que “tem de ser” e de receber garantias de que se tratava de uma oportunidade para trabalhar em prol da freguesia e apresentar resultados concretos, tomei a decisão definitiva. Assumi a candidatura com um forte sentido de responsabilidade e vontade de contribuir activamente para a melhoria da nossa comunidade. Desde sempre, estive envolvida nas dinâmicas da freguesia, acompanhando de perto as suas necessidades e desafios, o que reforçou ainda mais o meu compromisso com a terra e com as suas pessoas. Acredito que a proximidade à terra e à população é essencial, sinto que posso dar um contributo positivo, com trabalho, dedicação e espírito de serviço. Sei que ainda há poucas mulheres nestes cargos, mas também acredito que essa realidade está a mudar e que, cada vez mais, haverá uma participação feminina mais equilibrada. Para mim, essa questão nunca foi um motivo de hesitação. Tenho plena consciência das minhas capacidades, da minha experiência e daquilo que posso fazer pela freguesia.
Numa lista única, sem qualquer oposição politica, como decorreu a formação da lista apresentada ao eleitorado? Foi fácil cativar as pessoas ou, pelo contrário, foi uma tarefa complicada?
A formação da nossa lista foi um processo gratificante e motivador. Conseguimos reunir uma equipa jovem, mas com experiência, composta por pessoas dinâmicas, participativas e profundamente envolvidas na vida da freguesia. Todos partilham um forte sentido de compromisso com Rubiães e com o bem-estar da comunidade.
Tendo em conta que a freguesia é bastante dispersa, procurámos garantir representação de todos os lugares, para que cada canto se sinta incluído e ouvido. O maior desafio foi que nem todos puderam integrar a Assembleia de Freguesia, mas o espírito de colaboração e proximidade permanece sempre como prioridade.
Por dentro dos assuntos autárquicos e da realidade da freguesia, quais as principais ambições para este mandato?
Este é um mandato de transição, houve alguma renovação do executivo, mas há muitos projectos em andamento que têm de ser terminados. Gostaríamos de os executar e terminar. Temos o alargamento/modernização do cemitério de Rubiães, o processo de loteamento do Sabugueiro (criação de quatro lotes) e, paralelamente, a criação de uma zona lúdica-desportiva, a recuperação da Escola da Chão, a execução do projecto de melhoramento de eficiência energética do Albergue Municipal e o reforço da segurança no Caminho de Santiago. Ao mesmo tempo queremos melhorar a imagem da freguesia fazendo um esforço acrescido para a manter limpa.
Que balanço faz destes primeiros meses de trabalho? Tem sido uma tarefa complicada? Como é gerir uma das freguesias com maior área do concelho?
O balanço destes primeiros meses é globalmente positivo, embora mais intenso do que o esperado. Apesar de já ter experiência nas lides de uma Junta de Freguesia, estes cargos representam um nível de responsabilidade totalmente diferente.
Tem sido um período de adaptação e de muito trabalho. Gerir uma freguesia com grande área e muito dispersa implica lidar com muitas situações em simultâneo, mais muros caídos, mais caminhos para manter, mais aquedutos entupidos… o que exige uma presença contínua e uma elevada capacidade de atenção.
Para lá do manifesto eleitoral apresentado ao eleitorado, normalmente um conjunto de boas intenções, quais as principais apostas e prioridades neste mandato da Junta a que preside?
Para alem do manifesto, a prioridade são as pessoas, queremos reforçar a proximidade com todos, ouvir todas as necessidades que nos vão chegando e dar resposta, dentro das nossas competências. Também queremos melhorar a comunicação e continuar a gerir com rigor e transparência.
Em que vertentes acha que esta Freguesias de Rubiães está mais deficitária? E já agora, quais as maiores valorizações da freguesia?
Rubiães possui elementos muito importantes de valorização, que lhe dão uma projeção e identidade própria. O Caminho de Santiago é um dos seus maiores activos, trazendo anualmente peregrinos de todo mundo, colocando a freguesia num circuito internacional de grande relevância cultural e turística. Também temos um vasto património histórico como a Igreja Românica de Rubiães, a ponte romano-medieval, os vestígios da via romana XIX (Braga – Astorga), o que reforça o valor cultural e lhe dá uma identidade histórica forte. A paisagem natural, marcada pela tranquilidade, o rio Coura e também a hospitalidade da população contribuem para a sua atractividade. As fragilidades passam pela dificuldade de fixar jovens, a diminuição da população, escassez de serviços, a falta de uma zona de lazer atractiva. Falta tornar a freguesia num ponto de destino e não um ponto de passagem.
Sendo uma autarquia apoiada pela força partidária que lidera o município, como tem sido a relação com a Câmara Municipal?
A Câmara Municipal tem mostrado uma presença constante e uma disponibilidade genuína para enfrentar os problemas à medida que surgem. Nem tudo se resolve de imediato, mas é evidente o cuidado e a atenção dedicada às freguesias e às suas populações, reflectindo um compromisso real com o bem-estar de todos.
Quais os elementos que integram o executivo, nomeadamente o secretário e tesoureiro da Junta de Freguesia, bem como o presidente da Assembleia de Freguesia e o horário de atendimento ao público?
O executivo é composto pela secretária Guida Dias e pelo tesoureiro Cederike Cunha, ambos apoios muito importantes para o bom funcionamento da Junta. Destaca-se igualmente o papel do presidente da Assembleia de Freguesia, David Saraiva, com quem mantemos uma relação próxima, trabalhando todos por Rubiães.
Para terminar, que mensagem pretende deixar às gentes de Rubiães?
Para terminar, quero deixar uma palavra sincera de agradecimento a todos, pela confiança, pelo apoio e pelo carinho demonstrados. Agradecer a todos os que me ajudam e colaboram, quando solicitados. Continuarei a trabalhar com seriedade, proximidade e dedicação, sempre com o compromisso de servir a nossa comunidade da melhor forma possível.
Albano Sousa










