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Publicação quinzenal dedicada à informação local de Paredes de Coura. Aqui encontra notícias, reportagens, entrevistas e agenda cultural do concelho. Um espaço de proximidade que dá voz à comunidade courense.

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O pico que nunca mais achata

04/08/20263 Minutos de Leitura
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Dizem as previsões, apresentadas com mapas coloridos e gráficos impecáveis nos jornais da noite, que a onda de calor é coisa reservada aos nossos vizinhos espanhóis. Para cá da fronteira, explicam-nos, safamo-nos da onda, por pouco, e apenas vivemos num suposto “pico de calor”. Coisa pouca, caro leitor. Dois, no máximo três dias de excesso de temperatura, e depois a vida regressa à nossa habitual e confortável normalidade brando-atlântica.

No entanto, caro leitor, pergunto-lhe eu a partir deste canto do Alto Minho, já há quantos dias estamos nós a ser assados em lume brando?

A métrica dos mapas e dos boletins meteorológicos por vezes parece distante do termómetro da praça. No Alto Minho, a teoria do “pico” cai por terra ao terceiro dia de suor ininterrupto. Por cá, caro leitor, continuamo-nos a arrastar pelas sombras dos plátanos ou dos carvalhos, a adiar tarefas para a frescura mitológica da noite e a olhar para as serras verdes como quem implora por uma brisa perdida. Se isto é apenas um pico, então estamos encalhados no topo de uma montanha de fogo sem rampa de descida à vista.

E os prognósticos quais são, caro leitor?

Segundo a sabedoria popular, essa que se cultiva às mesas dos cafés enquanto o gelo derrete num piscar de olhos, o futuro próximo promete continuar a desafiar as estatísticas. As conversas desdobram-se entre o cepticismo de quem já viveu verões “de antigamente” e a resignação de quem sente que as noites tropicais vieram para ficar. O ar está denso, quase palpável, e até os rios Minho e Lima parecem correr a uma velocidade mais preguiçosa, exaustos do sol implacável que recusa dar tréguas.

O dilema de nomear isto como um mero “pico” é que a palavra sugere algo passageiro, uma anomalia rápida num gráfico pontual. Mas quando os dias sufocantes se somam uns aos outros até perdermos a conta, caro leitor, a própria terminologia técnica passa a soar a uma curiosa ironia. Para quem está no terreno, entre os prados e as vinhas do Minho que pedem chuva e as casas que acumulam o calor como fornos, a realidade não precisa de grandes definições científicas: está quente, está quente há demais, e o alívio teima em não chegar.

Resta-nos a nós, habitantes e visitantes deste pico sem fim, continuar a olhar o céu com esperança, consultar as meteorologias como quem joga na lotaria, mas sobretudo protegermo-nos e protegermos os mais frágeis. Porque enquanto a linguagem técnica procura a palavra exacta para definir o fenómeno, o Alto Minho continua a suspirar sob o sol, desejando muito, caro leitor, que o próximo prognóstico traga, finalmente, uma réstia daquela brisa atlântica que tanto ansiamos.

E, caro leitor, apesar das altas temperaturas que se fazem sentir vou aquecer um pouco mais este final desejando-vos um querido mês de Agosto muito feliz.

Helena Fernandes

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