Uma imaginação forte cria os acontecimentos, assim afirma Montaigne, em “Ensaios”, no século XVI.
Se tal pensamento for usado para as recentes eleições autárquicas, conquanto não fiquemos encerrados num raciocínio unidirecional, poder-se-á concluir que a expectativa de sucesso é superior ao passado dos candidatos, pois os eleitores preferem dizer, nas palavras de um ex-autarca courense “Nós sabemos o que temos, não sabemos o que vem.”
Os resultados falam por si, e cada um fará a análise que entender, decerto mais apropriada ao modo como fundamenta os dados relativos às recentes eleições autárquicas. É normal que haja leituras políticas diferentes, sendo elas bem-vindas.
Apesar de as eleições de 2025 terem correspondido a um novo ciclo – e o legado do Presidente Vítor Paulo Pereira é inigualável – não houve, no concelho de Paredes de Coura, terramoto político algum, pelo que as expectativas da oposição cabem na tal imaginação que antediz factos, como se eles fossem verdadeiros.
O partido da extrema-direita perdeu um terço dos votos que conquistara nas legislativas de 2025, tendo ficado bem longe da eleição de um vereador, e corroborando a ideia de que, nas eleições autárquicas, o partido conta menos que as pessoas, já que a proximidade é um fator muito relevante para os eleitores. Outra ideia extraída destas eleições diz respeito ao voto de protesto, com tendência para ser mais castigador nas legislativas e muito menos nas autárquicas.
Mais longe ficou a coligação CDU-PEV: perdeu votos quer para a Câmara, quer para a Assembleia Municipal, para a qual elegeu um único membro. Quanto ao PSD, quase nada se alterou, apesar de ter obtido mais 5% de votos para a Câmara, sendo de perguntar: por onde anda o velhinho PPD de Coura, de pessoas tão ilustres?
O esperado acontecimento positivo tornou-se quase o seu contrário, salvando-se a eleição de um vereador, o que tende a ser padrão nesta autarquia. Já para a Assembleia Municipal, o PSD subiu bastantes votos, e elegeu mais um membro. Sabendo-se que os resultados para os dois órgãos não são miméticos, o PSD saiu-se melhor na votação da Assembleia do que na da Câmara, ainda que a diferença não seja muito significativa. Se o imaginado, ou o desejado, era confrontar a inexistente concelhia com a distante distrital, os resultados falam por si, sem ser possível a uma das partes cantar vitória.
Dos resultados do PS observa-se, por um lado, que a maioria absoluta, na Câmara Municipal, desceu 4,42%, tendo aumentado, por outro, o número de votos, ainda que muito ligeiramente, com tendência quase igual na Assembleia Municipal.
Com efeito, e apesar de ter aumentado o número de eleitores de 2025 relativamente a 2021, os resultados finais, traduzidos em mandatos, dos dois partidos mais representados na autarquia não se alteraram por aí além.
Para a Câmara, o PS não só ganhou em todas as freguesias, como também passou a ter a maioria absoluta (61,39%) mais elevada das autarquias do PS no distrito do Minho.
Tiago Cunha, o presidente eleito com todo o mérito, começa um novo ciclo, sabendo-se que conhece bem os eleitores de Paredes de Coura, tendo plenamente a sua confiança, é acompanhado por uma excelente equipa, e estará totalmente disponível para melhorar os níveis de desenvolvimento social, económico e cultural do “seu” concelho.
José Augusto Pacheco










