Chamo-me Débora Viana Martins, sou natural de Paredes de Coura, Resende, e filha da Sandra
Viana e do Jorge Martins. Tenho um irmão, o Ricardo Martins, e sou neta da Ana Rosas e do Ramiro Viana. Estas pessoas foram aquelas que sempre me apoiaram, que acreditaram em mim mesmo nos momentos mais difíceis e que me deram força para continuar a lutar pelos meus sonhos – incluindo o de chegar onde estou hoje, no final do curso de Medicina. Mas, como tudo não aconteceu num abrir e fechar de olhos, vou falar um pouco do longo percurso que me trouxe
até aqui.
Nunca soube precisar exactamente o momento em que decidi que queria seguir Medicina. Não houve uma revelação repentina nem um episódio marcante. Simplesmente, à medida que fui crescendo, esta parecia ser a única opção que fazia sentido para mim. Sempre tive consciência da exigência deste sonho, e talvez por isso o medo de não o conseguir alcançar me tenha acompanhado desde o início. Ainda assim, esse receio acabou por se tornar também uma motivação: uma força silenciosa que me fazia persistir, mesmo quando tudo parecia mais difícil. E, felizmente, nunca estive sozinha. Os meus pais, os meus amigos, os meus professores, … tantas pessoas que, naquela altura, acreditavam mais em mim do que eu própria. A todos eles, devo um agradecimento profundo, porque cada palavra de incentivo, cada gesto de apoio, ajudaram a construir o caminho que fui trilhando.
Em Setembro de 2019, comecei o curso de Medicina e iniciei uma nova etapa longe de casa, em Braga. A Escola de Medicina da Universidade do Minho – ou, como todos por cá lhe chamamos, a nossa ECS – foi-se tornando, aos poucos, uma segunda casa. Entre novos ritmos, desafios e muitas descobertas, conheci colegas que rapidamente se tornaram amigos. O caminho até aqui esteve longe de ser sempre fácil. Como em qualquer percurso exigente, houve momentos de dúvida, de cansaço e de insegurança. Mas também existiram muitas conquistas, superações e pequenas vitórias que me mostraram que valia a pena continuar. E, acima de tudo, houve sempre pessoas, aquelas que nos levantam quando fraquejamos, que nos lembram do porquê de termos começado, que acreditam em nós mesmo quando nos esquecemos de acreditar.
No 3º ano, o início dos estágios clínicos trouxe um misto de entusiasmo e desafio. O contacto directo com a prática médica abriu-me os olhos para a complexidade da profissão e revelou também as minhas próprias inseguranças perante a vastidão do conhecimento. Com o aproximar do fim do curso, senti o peso da responsabilidade e da incerteza, sempre com a confiança do que
me trouxe até aqui. No entanto, essa evolução pessoal não foi isenta de momentos menos bons.
Enfrentar situações difíceis com doentes e famílias fez-me crescer e perceber a importância de
equilibrar o lado emocional com a razão. Essas experiências ajudaram-me a amadurecer e a fortalecer o compromisso com a profissão que escolhi.
Esta lição ficou ainda mais marcada pela oportunidade de, no final do 4º ano, realizar um estágio transformador em Cúmura, na Guiné-Bissau. O contacto com uma realidade tão diferente da minha abriu-me os olhos para novas formas de ver a Medicina e a vida. Enfrentar desafios, num contexto com poucos recursos, fez-me valorizar ainda mais o conhecimento que estou a adquirir e reforçou a minha vontade de ajudar, independentemente das circunstâncias. Cada pessoa que conheci, cada história que ouvi e cada momento vivido naquele país deixaram uma marca profunda, moldando não só a médica que quero ser, mas também a pessoa que continuo a construir. Guardo com carinho aquele lugar e a esperança de um dia poder voltar!
Durante estes seis anos, o esforço, o estudo e os sacrifícios foram constantes. Muitos momentos de lazer foram adiados em prol das avaliações e do aprendizado, mas, com o tempo, percebi a importância do equilíbrio entre a vida pessoal e académica. Chegar até aqui só foi possível porque nunca estive sozinha: a família e os amigos que estiveram sempre ao meu lado, oferecendo suporte, motivação e força nos momentos mais difíceis. Aprendi que, embora este caminho seja profundamente pessoal, o sucesso depende do trabalho em equipa, do apoio mútuo e da presença daqueles que acreditam em nós, mesmo quando duvidamos de nós mesmos. Olhar para trás enche-me de gratidão e olhar para o futuro enche-me de esperança, consciente de que esta é apenas uma etapa de uma longa e contínua jornada.
Débora Martins










