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Publicação quinzenal dedicada à informação local de Paredes de Coura. Aqui encontra notícias, reportagens, entrevistas e agenda cultural do concelho. Um espaço de proximidade que dá voz à comunidade courense.

Destaques

São Valentim ou São “Galentines”

23/02/20264 Minutos de Leitura
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O mês de Fevereiro, mesmo sendo curtinho, tem aquela mania dramática de nos lembrar o amor. E portanto, apesar de já ter passado o dia de São Valentim, decidi que tinha que abordar este tema. Um mês que reúne 28 dias, 29 quando é mais generoso, com uma sensação de viver tudo intensamente. Um palco dividido entre o São Valentim e o Carnaval. Mas não vai ser na folia dos disfarces e das cores que vou direccionar o meu olhar. Apesar de adorar o Carnaval e de ter perdido a oportunidade de ir celebrar o histórico Carnaval de Veneza, sinto que só vou conseguir falar mais aprofundadamente deste tema quando o passar em Veneza e no Brasil. Por isso, quando essas experiências se realizarem, serão dos primeiros a conhecer a minha percepção.

Voltando ao nosso Dia dos Namorados, o dia em que as montras vestem-se de vermelho, os restaurantes anunciam os seus “menus especiais” e como tradição que não falha, surge a pergunta: “Então… com quem vais celebrar o Dia dos Namorados, já tens planos?” Mas esta pergunta que parece simples, carrega a ideia implícita de ter que ter alguém e algo para esse dia. Onde o dia só faz sentido se existir romance, uma reserva para dois, um presente com valor sentimental, a fotografia do casal. A necessidade de tornar o amor num formato obrigatório.

E depois temos pessoas como eu. Aquelas que não estão em relacionamentos amorosos, não por falha, atraso ou desinteresse, mas simplesmente porque a nossa comédia romântica ainda está a ser escrita. Não posso negar que a questão fazia um certo eco e incomodava-me ligeiramente. Como se houvesse algo a justificar.

O dia em que toda a gente se interessa sobre a vossa vida amorosa, sem qualquer
sentimento de invasão. A dita curiosidade leve de querer perceber se existe alguém ou alguma coisa a florescer. Existir existirá sempre alguém, porque celebrar o amor, não precisa de ser somente o romantismo dos namorados, podemos celebrar com nós mesmos, com a nossa família e até mesmo partilhar o dia com os nossos amigos solteiros.

Portanto, o mais curioso é que tenho vindo a reparar que quando deixamos de encarar o dia 14 de Fevereiro como um teste social, ele torna-se num óptimo pretexto. Se o mundo inteiro decide celebrar o amor, eu também o vou fazer, só que à minha maneira. Celebrar com as pessoas com quem posso estar sem filtros, confortável e feliz, também pode ser considerado um manifesto de algo amoroso. Um jantar onde as velas são substituídas por pessoas, as flores por gargalhadas, as manifestações de amor são partilhas de memórias e de pedacinhos de cada pessoa sentada à mesa, a música de fundo torna-se imperceptível devido ao nosso entusiasmo e euforia, por estarmos na companhia de pessoas que alimentam a nossa alma e coração, sem precisar de um rótulo de namorado ou namorada. Sabe tão bem poder celebrar, e este motivo é mais que adequado.

Tornamos o dia que antes se reflectia na “ausência de um namorado”, em um que alimenta a presença de diferentes amores. Há algo de poderoso nisto. Poder escolher não sentir falta, mas sentir gratidão. De perceber que estar solteiro não é um problema nem é estar vazio. É estar disponível, para a vida, para os amigos, para nós próprios.

O mês pequenino traz intensidade emocional concentrada. O romantismo anda no ar, mesmo que não nos pertença directamente. E essa energia, uma insistência colectiva em falar de amor, acaba por nos contagiar de forma positiva. Não porque necessitamos de provar algo, mas porque nos lembramos de que o amor é plural.

Talvez a resposta à pergunta inicial não precise ser defensiva. E o “Com quem vais celebrar mesmo?” torna-se num…
Com quem me faz bem;

Com quem ri comigo;
Com quem transforma um dia potencialmente desconfortável numa noite memorável de partilha;
Com quem me sinto confortável e onde o silêncio é vivido tranquilamente.

Fevereiro carrega romance, expectativa, alguma pressão… e muitas possibilidades. E se há coisa que ele nos pode ensinar é que a felicidade não depende do número de cadeiras reservadas numa mesa, mas sim de quem se senta connosco nelas. E isso, felizmente, nunca me faltou. Gosto de celebrar, mas gosto ainda mais de celebrar à minha maneira.

Sandra Fernandes

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