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Publicação quinzenal dedicada à informação local de Paredes de Coura. Aqui encontra notícias, reportagens, entrevistas e agenda cultural do concelho. Um espaço de proximidade que dá voz à comunidade courense.

Cultura

Os 50 anos da Associação Cultural da Vila de Paredes de Coura

27/10/20265 Minutos de Leitura
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E num instante… a Associação Cultural da Vila chegou ao cinquentenário de existência. Dezenas de courenses e não só, participaram das suas actividades.Vários espectáculos proporcionaram à nossa gente, momentos únicos de cultura. Iniciativas inovadoras foram encetadas, como por exemplo: entrudo sopeiro, encontro de tunas, festival da canção courense (que pena não ter continuidade). Quantas amizades foram estabelecidas, e quantas emoções (a chegada da 1.ª carrinha, o 2.º festival de folclore do Alto Minho realizado entre a Largo Hintze Ribeiro e o terreiro da Casa Grande). Quantos momentos de expectativa, quer fosse pelas actuações, ou passeios e convívios… A boarelação com os “afilhados” da Associação Cultural de Verdoejo! Quantas paixões, sim porque há casais que se conheceram na colectividade. Quantas saudades dos que partiram!

Ano de 1976, vivia-se o período conturbado, porém prenhe de cultura, do pós 25 de Abril, quando na vila de Paredes de Coura, à sombra da Igreja, diga-se, começaram os ensaios e actuações do Grupo Coral, nas vertentes das músicas populares e das religiosas. Ao mesmo tempo, decorreram os ensaios de peças teatrais com muita qualidade e dedicação. Por exemplo, “Frei Luís de Sousa” de Almeida Garrett e “Vida por Vida”, por ocasião dos 50 anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários, um drama em vários actos que foi marcante. E que dizer dos espectáculos no salão do antigo quartel dos Bombeiros, quando uma comunidade inteira, com o local muitas vezes à pinha, vibrava com o desempenho dos pioneiros membros da então Associação Cultural e Recreativa (a parte desportiva só fez parte em finais dos anos 90).Depois vieram actividades como fotografia, a disponibilização de uma apetrechada biblioteca, arqueologia, e as tão lembradas danças rítmicas, que ocupavam o tempo ocioso dos mais jovens, para além de trabalhos manuais e exposições E por falar nisso, como já foi citado, os directores de então, entenderam alargar as actividades associativas, juntando algumas desportivas, e assim vieram os torneios de futsal, os jogos desportivos, o cicloturismo, os jogos tradicionais.

Aquando de um trabalho de recolha e investigação nuns antigos baúspertencentes às Senhoras da Casa do Outeiro, foram encontradas umas valiosas partituras musicais, nas quais estava incluído o Hino de Paredes de Coura, que de imediato o Grupo Coral tratou de ensaiar e de apresentar ao público. Actualmente, por todos sobejamente conhecido, carece de ser divulgado pelas novas gerações!

Claro que o grande embaixador, a partir de 1983, foi o Grupo Etnográfico, sonho de alguns elementos do extinto Grupo Folclórico de Paredes de Coura (também usando o nome de “Miguel Dantas”). 43 anos com dezenas de actuações (públicas e privadas), de músicas e danças recuperadas e registadas em suporte áudio, de participação em programas de rádio e televisão, em cortejos etnográficos, em cânticos de janeiras, de guarda de honra a altas individualidades, de preservação de trajes e utensílios de antanho, enfim, digamos por experiência própria, de levar o nome de Paredes de Coura a todo o território nacional (falta Algarve e Ilhas), Espanha e França.

Claro está que, sempre que possível, a Associação participa nas actividades promovidas pelo Município de Paredes de Coura.

De sede em sede, de modo nómada, foram estes 50 anos: na Casa do Juiz, no Centro Coordenador de Transportes, num apartamento em Sequeirô, no Largo Hintze Ribeiro, e agora no Largo 5 de Outubro, em espaço anexo à sede da Junta de Freguesia. E os ensaios do Grupo Etnográfico? No rês-do-chão da Casa do Juiz, no pré-fabricado onde funcionou o jardim-de-infância, na garagem do antigo quartel dos bombeiros, num terraço da sede da Junta, na sede da ADASPACO, e recentemente nas últimas duas sedes sociais já mencionadas.

Não querendo menosprezar ninguém, recordamos com saudade, o Sr. José Nogueira, o Romeu Vieira, a Maria Naipeira, o Tone Estrela, a Fernandinha Nogueira, o Berto Malheiro…

Refiram-se os nomes dos presidentes de direcção desde a fundação: Joaquim Lopes, Sérgio Nogueira, Júlio Nogueira, José Nogueira, Alexandra Marinheiro, Rafael Sousa e Francisco Sousa, o actual presidente da ACRDPC.

Para recordar todos os episódios associativos em 50 anos de vida, para rever velhos amigos, para homenagear quem já não está entre nós, no próximo dia 15 de Novembro, será celebrada eucaristia de acção de graças na Igreja do Espírito Santo, seguindo-se um almoço convívio, e uma mesa-redonda sobre o cinquentenário, com vários intervenientes.

O futuro? A Deus pertence, claro. Sabemos que há uma grande diferença entre a sociedade de 1976 e a de 2026, indubitavelmente, mas também acreditamos que a ACRDPC vai manter a sua linha, quiçá activar algumas actividades entretanto esquecidas, e prosseguir o encargo de levar o nome de Paredes de Coura bem longe. 

Eduardo Daniel Cerqueira

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