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Publicação quinzenal dedicada à informação local de Paredes de Coura. Aqui encontra notícias, reportagens, entrevistas e agenda cultural do concelho. Um espaço de proximidade que dá voz à comunidade courense.

Destaques

Campanhas de Inverno

17/11/20253 Minutos de Leitura
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Às portas da época mais bonita do ano, quando as luzes começam a tremer nas varandas e o cheiro a canela se espalha pelas ruas, regressa também a estação mais cara. A dos afectos e das carteiras magras. É o tempo dos embrulhos apressados, dos jantares combinados à última hora e da vontade quase infantil de ver, no rosto do outro, aquele sorriso que valida a nossa escolha. Mas este ano, caro leitor, como se o calendário precisasse de mais confusão, o Natal chega embrulhado numa outra quadra menos fraterna, a eleitoral.

Não falo do habitual mercado natalício, onde se vendem artesanatos, sonhos e castanhas assadas. Falo do outro mercado, o político, onde as promessas se penduram como bolas reluzentes e cada candidato tenta brilhar mais do que o vizinho da bancada. Depois do rescaldo das autárquicas e das tomadas de posse ainda mal arrefecidas, somos empurrados novamente para a cabine de voto, como quem repete um exame que jurou não querer ver tão cedo.

E assim começa a nova novela das presidenciais, essa saga temporal que invade o pensamento sem pedir licença, interrompendo até a playlist de músicas de Natal que teimamos em acreditar que nos trazem serenidade. Entre uma rabanada e uma sondagem, lá vamos tropeçando no discurso de cada candidato, todos com soluções mágicas, todos com presentes bem embrulhados, embora, como já se sabe, o que está dentro raramente corresponda ao papel brilhante.

As feiras de Natal e as feiras das promessas confundem-se. Ambas têm luzes, vozes e pregões. Em ambas se acena ao público com esperança, ou com a ilusão dela, e, no final, cada um tenta regressar a casa com a sensação de ter a escolha mais acertada. Mas ao contrário dos presentes, a escolha eleitoral não pode ser trocada no dia seguinte.

Talvez seja pedir muito que o espírito natalício contagie também o período eleitoral, que haja menos ruído e mais verdade, menos guerra de laços e mais substância. No fundo, que o país receba, por uma vez, um presente que não se parta logo em Janeiro.

Até lá, seguimos às voltas entre enfeites e boletins, entre piscas de árvore e piscas de debates, esperando que, no meio de tanto brilho artificial, ainda haja espaço para alguma luz genuína. E você, caro leitor, já montou o pinheiro de Natal e já escolheu todos os presentes, ou é daqueles que deixa para mais próximo da data? As escolhas, sejam elas

Helena Ramos

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