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Publicação quinzenal dedicada à informação local de Paredes de Coura. Aqui encontra notícias, reportagens, entrevistas e agenda cultural do concelho. Um espaço de proximidade que dá voz à comunidade courense.

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O sonho da pequenina

20/07/20266 Minutos de Leitura
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Hoje decidi escrever sobre a minha primeira capa na Vogue Portugal. A Sandrinha de 12 anos está aos pulos, porque aquilo que pediu numa das 12 passas de Ano Novo, aquilo que escreveu em manifestações nas suas notas… aconteceu.

Ainda não caí totalmente em mim. É um momento de realização pessoal e profissional que mexeu com cada nervo do meu corpo. Um sentimento que ainda não consegui processar, muito menos explicar. Qualquer pessoa que trabalha na moda anseia por uma capa da Vogue, e poder estar na capa da edição do meu próprio país é algo indescritivelmente bonito.

Decidi usar este meu cantinho para agradecer a todos os que tornaram isto possível. E não falo apenas da equipa incrível que trabalhou comigo neste projecto, mas também de todos os que acreditaram em mim e aplaudiram, de coração, esta conquista.

Estou a viver tudo isto de forma muito intensa, quase à flor da pele. Sinto-me profundamente emocionada, não só pelo feito em si, mas também pelas palavras que me têm chegado. Palavras como “orgulho” e “mereces”, mas também simples “parabéns”, trouxeram-me lágrimas, lágrimas essas de carinho e felicidade.

Pessoas que fazem parte da minha vida, e outras que já não estão tão presentes, porque a vida nem sempre nos permite manter todas as ligações tão próximas como gostaríamos, tiveram ainda assim uma palavra guardada para mim. E isso foi, talvez, o que mais me tocou.

Claro que agradeço, com todas as minhas forças, esta realização pessoal que estou a viver. Mas não consigo negar que a celebração daqueles que, de alguma forma, fazem parte da minha história, me comove ainda mais e torna tudo isto verdadeiramente real. Deixo-me de meias palavras e passo a agradecer.

À minha agência, que sempre acreditou no meu potencial, mesmo quando os trabalhos não eram muitos. Ao Pedro e ao Zé, por serem incansáveis a acompanhar esta minha caminhada e por, mesmo no meio da confusão com que tantas vezes respondo, tentarem sempre compreender as minhas dúvidas e os meus anseios.

À Fátima Lopes, que com tanto carinho me deu sempre um lugar onde pude sentir-me uma princesa, valorizada e vista. Às costureiras que trabalham com ela, que foram o mais próximo que tive de fadas madrinhas da Cinderela.

Aos fotógrafos que alinharam nas minhas ideias e suposições, com quem partilhei gargalhadas genuínas e sem filtros e que de alguma forma estão presentes não só a nível profissional. Às stylists, que me mostram que uma peça pode ser um mundo inteiro de combinações e histórias. Aos cabeleireiros e maquilhadores, que me transformaram em versões diferentes de mim mesma, sempre com mãos de artista.

Aos directores criativos, assistentes e a todas as equipas com quem tive o privilégio de trabalhar em desfiles e sessões pois nunca houve um único trabalho de que não tenha gostado, e isso diz muito sobre todos vocês.

A toda a equipa desta capa: foram incansáveis. Foi, sem rodeios, um dia em que o trabalho soube bem de tão leve que foi. Obrigada à directora de casting que me viu como peça importante, ao fotógrafo que, para além de eficaz, foi incansável, aos restantes modelos que, por um dia, foram família, à equipa de produção que nunca deixou faltar nada, à maquilhadora e ao cabeleireiro pelas suas mãos de fada, e à equipa de styling que me fez sentir uma verdadeira Barbie. Uma equipa cheia de bondade e simplicidade e talvez tenha sido isso que fez tudo resultar tão bem.

Obrigada a equipa da Vogue por nos escolherem e tornarem todo este sonho real.

As pessoas que Lisboa me trouxe, que fazem os meus dias mais completos e diversificados.

Aos meus colegas modelos, que me fazem acreditar que é possível ter amizades verdadeiras dentro desta profissão. Muitos de vocês são inspiração, tanto pessoal como profissional. É aqui que percebemos o quão bonito pode ser trabalhar com arte.

Aos amigos que a moda me trouxe, relações que surgiram de forma inesperada, mas que se tornaram fortes e genuínas. Aos designers que se tornaram amigos do peito, e a todos os que confiaram e confiam em mim para dar vida às suas peças.

Aos amigos da faculdade, que mesmo sem partilharmos rotinas semelhantes, compreendem sempre os meus “afinal já não consigo ir” de última hora e são dos primeiros a celebrar cada conquista.

Aos amigos de sempre, que permanecem ao meu lado desde o início e, acredito, para sempre. Aqueles que, mesmo longe, provam que a distância não apaga o que é verdadeiro. Aqueles com quem, quando finalmente marcamos o tal café, pode mudar tudo menos a cumplicidade.

Aos Courenses, que desde o início acompanham o meu percurso e fazem questão de me parabenizar. Ao jornal Notícias de Coura, que sempre documentou o meu caminho e me fez sentir parte desta família. À Rádio Vale do Minho, incansável a partilhar aquilo que eu, a pequena Sandrinha, fui e vou fazendo. Aos Limianos, que também são casa e que sempre me acolheram de braços abertos.

E, por fim, mas nunca em último, à minha família. Aos meus avós, que viram a sua netinha seguir um caminho incerto e, mesmo assim, sempre olharam para mim com orgulho. Aos meus tios, sempre presentes e disponíveis, muitas vezes a fazerem questão de assistir aos meus sucessos. Aos meus priminhos que sempre aplaudiram e cresceram comigo, que desde cedo perceberam a minha paixão pela área da moda.

Ao amor da minha vida, o meu irmão, que sempre me deixou ser a princesinha da casa e nunca se opôs à atenção extra que tive por começar tão nova. Ele é, sem dúvida, quem merece o meu maior obrigada.

E aos meus pilares: ao meu pai, que nunca duvidou e foi tantas vezes a voz da razão; e à minha mãe, que viveu tudo isto de perto, não porque escolheu, mas porque era o sonho da sua menina e sabia que tinha de estar lá. Ainda bem que esteve, foi ela que de certo modo mais força teve nesta minha caminhada.

Todas estas pessoas foram essenciais nesta conquista, cada uma à sua maneira. Decidi não mencionar todos os nomes, mas acredito que, se algum dia lerem estas palavras, saberão exactamente que falo deles.

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