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Publicação quinzenal dedicada à informação local de Paredes de Coura. Aqui encontra notícias, reportagens, entrevistas e agenda cultural do concelho. Um espaço de proximidade que dá voz à comunidade courense.

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20/07/20263 Minutos de Leitura
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A polémica que envolve a classificação dos exames do ensino secundário e das provas do ensino básico exige uma clarificação prévia, sob pena de se discutir o problema errado.

O que está em causa não são os critérios de correção, nem os conteúdos avaliados, mas a classificação a partir da digitalização das provas, isto é, o processo que se seguiu depois de os alunos terem realizado, em papel, os exames ou as provas.

A anomalia é processual e tecnológica, não pedagógica, mas é também política, pois há decisões a montante que exigem análise.

Convém recordar que a digitalização das provas em papel começou por um estudo-piloto, no ano letivo transato, e que esse ensaio já revelara alguns problemas, pelo que a generalização de qualquer inovação só é legítima quando os problemas detetados na fase experimental tiverem sido atempadamente resolvidos.

Generalizar depressa aquilo que não estava consolidado é, quase sempre, um convite ao erro. E foi o que, de facto, aconteceu.

Há uma outra dimensão que não pode ser ignorada: a digitalização teve como interveniente direto uma empresa privada. As questões da educação exigem especialistas dotados não apenas de conhecimento profissional, mas também de um conhecimento tácito, ou seja, aquele que só se adquire no interior das organizações educativas.

Quando o público cede lugar ao privado, perde-se, muitas vezes, esse conhecimento profundo da realidade escolar, cuja falta pode ter contribuído para as falhas observadas. A isto acresce a reforma administrativa do Ministério ligada à integração de serviços.
Prescindir de profissionais especializados e totalmente conhecedores da escola e da avaliação externa é algo que pode, ainda, ter contribuído para o que está a suceder. Mas nenhuma análise deve fazer-nos perder de vista o essencial. Os efeitos desta crise
recaem, em primeiríssimo lugar, nos alunos.

Logo a seguir estão os pais e os professores, embora a profissionalidade destes jamais possa negativamente questionada, já que o seu papel na correção é essencial.

Exige-se, por isso, que sejam assegurados critérios que garantam a transparência de todo o processo de classificação dos exames e das provas, porque os alunos, os pais e os professores merecem essa garantia, e o sistema educativo essa exigência.

José Augusto Pacheco

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