Chega mais uma vez o mês de Junho e com ele o final do ano lectivo. Na maioria das vezes, este é um motivo de celebração e de contentamento, já que, a partir desse momento, poderemos finalmente aproveitar a liberdade quase incondicional das férias, sem sermos atrapalhados pelo peso sufocante das mochilas. Ora, quando terminamos o 12º ano, a realidade torna-se diferente.
Durante anos imaginámos este momento como uma luz ao fundo do túnel, uma miragem que nunca mais chegava e cheia de obstáculos mais iminentes como os testes, os trabalhos ou os exames. Mas agora que ele chegou, está aqui, e não dá para voltar atrás, percebemos que não estamos apenas a fechar um simples capítulo ou mais um ciclo. Estamos a despedir-nos de um lugar que, de uma forma ou de outra, nos ajudou a crescer e a tornar-nos nas pessoas que somos hoje.
A escola é muito mais do que um lugar onde aprendemos fórmulas, teorias que nos parecem inúteis ou intermináveis calhamaços literários. É o espaço onde crescemos, onde descobrimos quem somos e onde começamos a construir a pessoa que queremos ser. É na escola que aprendemos a lidar com desafios, a aceitar as diferenças, a trabalhar em equipa e, mais importante de tudo, perceber que errar também faz parte do processo de aprender.
No entanto, a escola só é todo isto devido àss pessoas que a vivem connosco. Aqueles que transformaram simples dias de rotina em memórias inesquecíveis, aqueles que estiveram presentes nas gargalhadas, nos momentos de nervosismo antes dos testes, nas conversas do intervalo e também nos dias mais difíceis. Porque, no final, aquilo que levamos connosco não são apenas
os conhecimentos teóricos, mas as pessoas que caminharam ao nosso lado e que deixaram uma marca na nossa história.
E um dia, daqui a muitos anos, quando estivermos ocupados com as nossas vidas, carreiras e responsabilidades, basta uma fotografia, uma música ou uma memória para nos transportar novamente para a escola, para aqueles corredores, para aquelas salas e sobretudo para aquelas pessoas. E vamos sorrir, porque perceberemos que tivemos sorte, sorte por termos feito parte desta história, da nossa história.
Assim, terminamos uma etapa, mas tudo aquilo que vivemos continuará a acompanhar-nos para onde quer que a vida nos leve, porque os lugares ficam dentro de nós, as pessoas ficam dentro de nós e as memórias ficam dentro de nós.
Francisco Ribas












