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Publicação quinzenal dedicada à informação local de Paredes de Coura. Aqui encontra notícias, reportagens, entrevistas e agenda cultural do concelho. Um espaço de proximidade que dá voz à comunidade courense.

Desporto

Inês Oliveira, a guarda-redes revelação do Castanheira

02/12/20258 Minutos de Leitura
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Nascida no lugar de Lamamá, Inês Felgueiras Oliveira é uma das jovens revelação dos escalões de Formação do Futsal Feminino do Castanheira. Aos 17 anos de idade, é figura de proa da equipa de Sub-19, Juniores, do clube, com frequência regular na equipa sénior. Guarda-redes com enorme potencial, aluna de mérito e jovem deveras interventiva na vida comunitária, o Notícias de Coura foi ao encontro desta jovem promissora, para ouvir, na primeira pessoa, quais os objectvos futuros e os planos delineados.

Para um melhor conhecimento dos leitores fala-nos um pouco de ti. Quem é a Inês Oliveira e qual o percurso em termos desportivos, mormente na prática do Futsal?

A Inês é uma jovem natural de Coura, ainda estudante, que desde cedo se interessou pela prática desportiva. Considero-me uma pessoa persistente, empenhada e com um grande sentido de responsabilidade. No futsal, como na vida, gosto de dar o meu melhor e de trabalhar para evoluir. Foi nos pavilhões locais que dei os primeiros passos nesta modalidade desafiante que é o futsal e, desde então, abraço cada desafio e oportunidade. Levo comigo o espírito de equipa, a disciplina e a resiliência que ela me impõe. Sou uma pessoa muito ligada à minha terra e orgulho-me em continuar a representá-la na comunidade desportiva.

Como surgiu a oportunidade de ingressar no Castanheira, e quais os motivos que te atraíram nesta modalidade’?

O Castanheira surgiu muito cedo na minha vida. A minha irmã já fazia parte do clube e foi através dela que nasceu a curiosidade. Desde o primeiro contacto — ainda na academia do clube — senti que a modalidade tinha tudo para se tornar uma parte importante do meu crescimento.

O futsal é algo completo e, para além disso, sempre exigiu um espírito de união e entreajuda que me fez sentir integrada desde o primeiro momento. Acabou por não ser apenas um desporto coletivo, mas também um espaço onde cresço, aprendo e me sinto verdadeiramente parte de algo.

Com apenas 17 anos de idade, cumpres a quarta época ao serviço do clube, com o registo da conquista de 2 campeonatos distritais da AFVC, no escalão de Juvenis, e uma Taça AFVC no mesmo escalão. Na tua opinião a que se deve tamanho êxito em tão curto espaço de tempo?

Cada época foi construída em cima da anterior, e isso permitiu-nos crescer como equipa e atingir objetivos tão cedo. A união dentro do balneário, a exigência dos treinos e a confiança que os treinadores transmitiam fizeram toda a diferença. Quando existe este tipo de ambiente, o sucesso aparece naturalmente.

Sendo uma das grandes revelações da Formação do clube, inclusive com o registo já de algumas chamadas á equipa sénior, como defines a o trabalho desenvolvido pelo clube em termos da formação?

É notável a preocupação do clube na preparação de cada atleta e sente-se, realmente, que existe uma linha de continuidade entre os escalões. O facto de o clube ter uma visão muito clara sobre aquilo que pretende para a formação, aliado ao trabalho paciente, consistente e à aposta verdadeira nas jogadoras, faz com que sejamos capazes de seguir caminhos mais desafiantes.

Há, portanto, um grande trabalho por trás da formação do clube, e é isso que garante tanto a continuidade dos bons resultados como a boa integração de cada atleta.

Qual o estado do Futsal Feminino em Portugal, no geral, e em concreto na AF de Viana do Castelo? O que achas que deve ser feito para melhorar a modalidade no feminino?

Nos últimos anos, o futsal feminino em Portugal tem evoluído bastante, com mais competitividade e mais clubes a apostar na modalidade. No entanto, ainda existe um longo caminho a percorrer, sobretudo no que diz respeito à visibilidade, ao investimento e à criação de condições iguais às do masculino.

Na AF de Viana do Castelo, sente-se a vontade de fazer crescer o futsal feminino, mas seria importante aumentar o número de equipas. A modalidade precisa de mais apoio, mais divulgação e mais projetos sólidos para que continue a crescer.

Como classificas os quadros competitivos na AF de Viana do Castelo?

Nos escalões em que participo, nota-se uma grande diferença no número de equipas. Por exemplo, o escalão sénior tem o privilégio de contactar com bastantes estreias e novidades no distrito a disputar o campeonato, o que torna a competição mais alargada e dinâmica. Já no escalão de juniores, a competitividade passa apenas por quatro equipas, o que é naturalmente mais limitado em termos de quantidade.

Apesar destas diferenças, considero que, em ambos, a disputa é exigente e existe um elevado compromisso de todas as equipas, levando a um maior empenho por parte dos treinadores e das atletas, o que torna cada jogo um verdadeiro desafio.

Para lá do excelente desempenho desportivo, sabemos que o teu percurso académico é também de excelência, o que contraria a opinião daqueles que defendem que o desporto prejudica os estudos. Como explicas a conciliação entre os estudos e o futsal?

Conciliar os estudos com o futsal exige organização, disciplina e dedicação, mas é totalmente possível quando se tem motivação e prioridades bem definidas. Aprendi a gerir o meu tempo, a planear tarefas e a manter o foco tanto nos treinos como nas aulas. Para mim, o desporto não prejudica os estudos; pelo contrário, ensina-me responsabilidade, concentração e resiliência, competências que aplico também na escola. Acaba por ser uma questão de equilíbrio e de vontade de fazer sempre o melhor em todos os aspetos da vida.

Paralelamente, és também uma distinta colaboradora deste jornal. Que predicados te atraem a todas estas multifunções?

Acho que, acima de tudo, sempre me motivou o desafio e a oportunidade de saber um pouco mais sobre cada área. Quando surgiu a oportunidade, prevaleceu em mim a ideia de continuar ligada a esta terra, contribuindo de alguma forma para a comunidade que me viu — e continua a ver — crescer.

Sentir que posso partilhar experiências, apoiar projetos locais e, ao mesmo tempo, evoluir pessoal e profissionalmente tornou esta experiência ainda mais gratificante. Cada função que desempenho é, para mim, uma forma de me superar e de me manter ativa e envolvida no que me rodeia.

Como classificas o ambiente reinante no clube? E quais os teus objectivos em termos pessoais na modalidade?

Penso que nunca haverá palavras que consigam descrever realmente aquilo que reina no Castanheira. É um ambiente marcado pela união e pelo respeito, onde cada gesto de ajuda mútua é valorizado e faz toda a diferença. Neste clube, partilhamos não só o esforço nos treinos e nos jogos, mas também o nosso estado de espírito e as nossas experiências, o que cria um verdadeiro espírito de equipa.

Para mim, não há nada mais essencial do que sentir-me em casa, na companhia daqueles que me ajudam a crescer a cada dia.

Em termos pessoais, os meus objetivos passam por continuar a evoluir como atleta, melhorar tecnicamente, contribuir para o sucesso da equipa e, acima de tudo, manter a paixão pelo futsal e o compromisso com a modalidade. Quero crescer dentro do desporto, desfrutar do percurso e aproveitar cada oportunidade de aprendizagem que surgir.

Que conselho gostarias de deixar a todas as meninas que ambicionem praticar desporto, mormente o Futsal?

Aproveito para deixar uma mensagem a todas as meninas que têm o futsal como ponto de referência: este desporto ensina muito mais do que técnicas ou táticas. Por ser coletivo, permite-nos aprender sobre trabalho de equipa, respeito, espírito de grupo e compromisso.

Se se dedicarem e se divertirem ao longo do processo, vão crescer tanto como atletas como pessoas, e cada conquista terá um significado ainda maior. Acreditem no vosso potencial, não desistam perante a primeira adversidade e, acima de tudo, divirtam-se a jogar, o resto virá!

Para terminar, que mensagem queres deixar aos adeptos e simpatizantes do clube, no geral, e aos nossos leitores, em particular?

A minha mensagem é de gratidão por cada presença e por cada gesto de encorajamento. É sempre gratificante ver o Castanheira a ser apoiado e sentir o entusiasmo daqueles que nos acompanham. Dá sempre uma motivação extra para continuar a dar o nosso melhor! Aos leitores, espero que continuem a acompanhar-nos, a apoiar o desporto feminino e a valorizar cada conquista, que é fruto de muito trabalho. É essencial sentir o apoio de todos os courenses!

Albano Sousa

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