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Publicação quinzenal dedicada à informação local de Paredes de Coura. Aqui encontra notícias, reportagens, entrevistas e agenda cultural do concelho. Um espaço de proximidade que dá voz à comunidade courense.

Opinião

O que nos move

09/06/20253 Minutos de Leitura
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Estou, caro leitor, numa fase em que me parece ter conseguido identificar com clareza o que me move. Este meu estado poderá estar associado à minha ‘tenra’ idade, como diriam alguns dos meus queridos amigos. Já com o meu meio século e mais uma mão cheia de anos vividos à minha maneira e ao som da minha música, posso afirmar, caro leitor, que, hoje, identifico o que é importante para mim e, consequentemente, para o meu bem-estar emocional. E isso tem contribuído de forma positiva para que eu consiga alcançar alguma qualidade de vida, apesar do imenso trabalho e estudo que eu, conscientemente, decidi abarcar. Digo alguma qualidade de vida, porque o Estado teima em não me deixar enriquecer financeiramente. E, ironizando um pouco com este desabafo, talvez por isso tenha decidido enriquecer o meu conhecimento. Admito que isto tem-me dado algum prazer, apesar de estar sempre a implicar com os inúmeros trabalhos que me roubam o meu tempo e raciocínio. Duas coisas imprescindíveis para o meu bom desempenho profissional. Haja vontade, caro leitor.

Será que o dinheiro ‘aos potes’ melhora de alguma forma o nosso estado emocional? Não sei, caro leitor, porque a minha algibeira, ou o meu pote, depende imensamente do meu trabalho. Não sou rica, mas também não sou pobre. Diria que sou trabalhadora. E sou feliz, à minha maneira. Poderia ser mais, talvez porque faltem algumas peças no puzzle que é a minha vida. Mas, sendo a vida um puzzle em construção, será a nossa morte a última peça a encaixar. Se assim for, caro leitor, vivamos felizes sem algumas peças e sem pressa de o finalizar. Em boa verdade a felicidade nem é palpável e não tem
preço. Ser feliz, é mais simples do que parece, apenas depende do que plantamos no nosso coração. Sendo que a safra desse acto dependerá de nós, e do nosso bem-estar e equilíbrio emocional. O que realmente importa, caro leitor, cabe na palma da nossa mão e no imenso espaço do nosso coração.

Recentemente, temos assistido em Portugal a um crescente movimento em torno da valorização da saúde mental e do bem-estar emocional, especialmente entre os mais jovens e os profissionais que, como muitos de nós, vivem intensamente o dia-a-dia. Parece-me, caro leitor, que mais do que sobreviver, é preciso viver com propósito. E isto é, talvez, a maior riqueza que podemos almejar num país onde o custo de vida sobe, de ano para ano, e os salários pouco ou nada acompanham essa subida. Devemos, por isso, investir no que nos realiza por dentro, em busca de um equilíbrio que não se meça em euros, mas sim em serenidade.

E talvez, caro leitor, seja isso que nos deva mover, sermos verdadeiramente felizes,
mesmo que faltem peças ao puzzle que é a nossa vida.

Helena Ramos

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