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Publicação quinzenal dedicada à informação local de Paredes de Coura. Aqui encontra notícias, reportagens, entrevistas e agenda cultural do concelho. Um espaço de proximidade que dá voz à comunidade courense.

Opinião

Que calor é este?

08/07/20253 Minutos de Leitura
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Como podemos suportar estas temperaturas, caro leitor? Está um calor infernal. Mas será mais difícil de aguentar quando se trabalha ao ar livre. Ou em espaços fechados, abafados, que mais parecem fornos quando lá fora o calor aperta sem piedade. Qualquer que seja a tarefa a executar, estas condições extremas afectam-nos a todos. O corpo reage com suores teimosos, mesmo sem grandes movimentos ou esforço. A cabeça fica pesada, o raciocínio lento, e andamos sempre à procura de alguma solução para aliviar este desconforto, que em certos casos roça o insuportável.

Infelizmente, muitos trabalhadores continuam obrigados a enfrentar estas condições todos os dias. Mas, caros leitores, estes trabalhos não podem deixar de ser feitos, e cada vez há menos quem os queira assumir. As novas gerações, mais protegidas desde cedo, já não estão tão preparadas para enfrentar este tipo de desafios físicos e mentais. Talvez por isso seja tão difícil arranjar quem aceite trabalhos duros e exigentes. E talvez, também por isso, seja urgente que esses trabalhos sejam bem pagos e devidamente valorizados. Porque, sejamos claros: não se trata apenas de saber fazer, trata-se também de conseguir fazer, em condições que, a cada Verão, se tornam mais hostis. E também falta, caro leitor, a capacidade, de alguns mandantes perceberem o quanto são frios e injustos em relação aos seus subordinados. Se as condições não são suportáveis para a chefia, como podem estes esperar que outros as suportem em troca, na maioria das vezes, de um ordenado 2 ou 3, ou mais, vezes menor.

O que está por trás deste calor infernal, caro leitor? As ondas de calor, as secas e as tempestades violentas são sinais cada vez mais frequentes de que algo vai muito mal com o nosso planeta. E, convenhamos, enquanto a natureza dá sinais de alarme, o que estamos nós a fazer? Muito pouco. As alterações climáticas estão aí, à vista de todos, e estão a transformar o mundo de forma acelerada.

A nível nacional, europeu e mundial, assistimos a promessas vagas, planos de acção pouco ambiciosos e investimentos insuficientes para travar ou, pelo menos, abrandar esta catástrofe anunciada. Enquanto se investe em armas, em projectos megalómanos ou em infra-estruturas de curto prazo, falta coragem política e visão estratégica para apostar seriamente numa solução que dê frutos e na adaptação das cidades e locais de trabalho a estas novas condições climáticas. Falta vontade política, sobram discursos. Fala-se de ambiente, fala-se de poluição, fala-se de energias renováveis. Mas o que se faz não é suficiente. A cada dia que passa tudo piora para o ambiente,
para o planeta, e para as pessoas. O lucro imediato continua a falar mais alto do que o futuro do planeta, e consequentemente de quem nele vive. O investimento para contrariar estas alterações continua a ser tímido e insuficiente, mal desenhado e na maioria das vezes muito mal direccionado.

A mudança não pode esperar. Porque estas alterações, já todos percebemos, vieram para ficar. E se nada for feito, caro leitor, virá ainda pior. Não se trata apenas de aprender a aguentar. Trata-se de agir antes que seja tarde demais. Porque o futuro, caro leitor, ainda pode ser escrito de outra forma, um futuro sem extremos e mais justo para todos.

Helena Ramos

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