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Publicação quinzenal dedicada à informação local de Paredes de Coura. Aqui encontra notícias, reportagens, entrevistas e agenda cultural do concelho. Um espaço de proximidade que dá voz à comunidade courense.

Opinião

Quotidianos

09/06/20253 Minutos de Leitura
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E sempre voltamos aos prós e contras da tecnologia, tudo dependendo dos pressupostos de partida para uma análise que tenha a razoabilidade necessária. É frequente dizer-se que a tecnologia impulsiona a inovação, assim tendo acontecido desde os primórdios das civilizações. Falemos então de tecnologias digitais, e preferencialmente na educação, a partir de vozes diversas (alunos, técnicos especializados e docentes), como se verificou no debate que ocorreu na Casa do Conhecimento de Paredes de Coura, em inícios de junho. E o que nos dizem os jovens, por exemplo, o Marco, a Lara, a Carlota, a Carolina, a Maria e o Alexandre, de dois agrupamentos de escolas situados no Alto-Minho?

Pelas suas palavras, ditas com uma autoridade impressionante, porque o seu quotidiano já não existe sem tecnologias digitais, tudo se resume ao uso da tecnologia, não podendo ser colocado em causa o seu potencial educativo, sobretudo quando é utilizada como ferramenta pedagógica na escola e como fonte de informação e conhecimento. Que se sentem bem com a tecnologia que têm em suas mãos, apontando, contudo, várias desvantagens, principalmente quando a mesma gera desinformação.

Outra ideia merecedora de registo é a de que as tecnologias digitais são facilmente – e de modo errado – reduzidas ao telemóvel. Por isso, há tantas preocupações relativas a recomendações ou à sua proibição em meio escolar.

E afirmam este alunos e alunas: é justo que haja recomendações, mas a proibição desencadeia atitudes e comportamentos que se tornam contraproducentes, não sendo de esperar que todos cumpram as regras. A infração é, assim, o caminho a descobrir, já que o telemóvel é um artefacto que faz parte do dia a dia dos jovens, mormente a partir dos seus dez a doze anos. Ou seja: as coisas acontecem, retirar não é a solução, mas o deixar andar fechando-se os olhos ao que se vê, também não é o caminho mais adequado.

Pelas suas vozes, há um generalizado consenso quando o telemóvel é retirado da sala de aula, sendo, porém necessário que seja usado mais vezes como recurso para a sua aprendizagem. Ao invés, há reações negativas quando a mesma proibição se estende ao espaço do recreio, E aqui os alunos revelam que há alterações significativas nas suas competências socioemocionais, admitindo que há os que já não conseguem desprender-se do ecrã, na medida em que uma perigosa dependência é silenciosamente criada.


Sobre os problemas trazidos pela tecnologia, e acima de tudo pelo telemóvel, falaram as técnicas especializadas Dr.ª Cláudia Rocha e Dr.ª Olinda Esteves, e demais especialistas, destacando a necessidade que há de acompanhar os alunos, proporcionando-lhes espaços para brincar, correr e conversar. Um dado observado nas escolas, que não permitem o uso do telemóvel no recreio, é que há mais braços partidos e outras lesões.

A questão das tecnologias digitais na educação foi, de igual modo, abordada por docentes, com análises extremamente relevantes a partir da sua experiência pedagógica, mas os protagonistas deste belo encontro foram verdadeiramente os alunos e os técnicos especializados. Assim se engrandece a Casa do Conhecimento!

José Augusto Pacheco

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