Apaixonados por música existem em todo o lado, mas este tem uma costela courense. E é precisamente por isso que o seu percurso, guiado por esta paixão, merece ser contado. Pedro Pádua Rodrigues, 19 anos, tem raízes familiares no concelho, o que faz com que, apesar de não habitar cá, mantenha uma forte ligação a Paredes de Coura, local que, sempre que pode, vem visitar. Por parte da mãe, Ana Pádua, é neto de Manuel Pádua e de Rosa Pádua, queridos habitantes da freguesia de Parada, e por parte do pai, Vítor Rodrigues, é sobrinho de Madalena Ribeiro e de Anília Rodrigues, simpáticas residentes da Vila e de Castanheira, respectivamente.
Quando alguém tão jovem envereda por caminhos que muitos consideram arriscados, por verem na música um futuro incerto, isso é, por si só, um acto de coragem. E sendo esse jovem um dos nossos, esta aventura causa-nos outra admiração e ganha um significado ainda mais especial.
A sua ligação à música começou aos seis anos, quando os pais o inscreveram nas provas de admissão ao Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga. “Na altura, a música não era propriamente a minha prioridade. Era um miúdo como tantos outros, que queria brincar com os amigos, jogar futebol e aproveitar o tempo livre. As aulas de música faziam simplesmente parte da minha rotina”, confessa. No entanto, à medida que foi crescendo e ganhando maturidade, começou a descobrir a beleza desta arte. Aquilo que inicialmente era apenas uma actividade extra-curricular, foi-se transformando numa paixão cada vez maior, até perceber que era este o caminho que queria seguir na sua vida.
Iniciou os estudos de piano aos seis anos, no conservatório anteriormente mencionado, na classe da professora Amélia Ribeiro, e manteve os estudos de piano até ao 12.º ano, concluindo o curso com o respectivo recital final. No 10.º ano, surgiu uma oportunidade que acabou por marcar profundamente o seu percurso: para além do piano, ingressou também no curso de Composição, orientado pelo Professor Paulo Bastos. Foi uma escolha muito influenciada pela disciplina de Introdução às Técnicas de Composição (ITC), que frequentou entre o 7.º e 9.º anos, e que despertou em si uma enorme curiosidade pela criação musical. Este professor teve um papel determinante no desenvolvimento do seu gosto pela composição. Durante os três anos em que foi seu aluno, conheceu um universo musical extremamente vasto – teve contacto com o jazz, através de artistas como Nina Simone, Keith Jarrett, Billie Holiday ou Ella Fitzgerald, mas também com música erudita de diferentes épocas e correntes estéticas, desde o Renascimento ao Romantismo, passando pelo Impressionismo, Expressionismo, Modernismo, Minimalismo, música electro-acústica e pela música contemporânea portuguesa.
À medida que foi conhecendo novos estilos e diferentes formas de pensar no que é a música, começou, naturalmente, a transportar essas influências para a sua própria escrita. “Ver as minhas composições passarem do papel para os ensaios e, finalmente, para o palco, interpretadas por músicos, foi uma experiência muito marcante e que reforçou ainda mais esta vontade de continuar a compor”, confessou ao NC. Durante o Conservatório, escreveu obras para diversas formações, desde flauta solo, coro, quarteto, quinteto e projectos com electrónica e vídeo.
Em 2024, entrou na Escola Superior de Música de Lisboa, para licenciar-se em Composição, onde actualmente está a concluir o segundo ano sob a orientação do professor Jaime Reis. Graças a este, desenvolveu um interesse muito forte pela música acusmática (música criada em estúdio e ouvida através de colunas, sem músicos no palco) e pela música mista (electrónica+instrumentos). O contacto com compositores, intérpretes e obras que até então desconhecia, abriram a Pedro novos horizontes, fazendo com que descobrisse uma área fascinante da criação musical. Hoje, procura continuar a desenvolver tanto a sua escrita instrumental, como a componente electrónica. “Sinto que tive sempre a felicidade de ser acompanhado por professores de enorme qualidade, que foram verdadeiras referências e desempenharam um papel fundamental na minha formação artística.”, declara Pedro.
O seu interesse pelo jazz surgiu também durante o 10.º ano do Conservatório. “Tenho um grande amigo, Rodrigo Gonçalves, actualmente a estudar Piano Jazz em Amesterdão, que chegava frequentemente à sala de composição e começava a tocar standards, bossa nova, e improvisações ao piano. Eu ficava fascinado, e depois tentava reproduzir essas músicas em casa. A partir daí, comecei a explorar cada vez mais este universo. Passei a assistir a concertos, participar em workshops, estudar a história do jazz e a transcrever temas e solos de alguns dos grandes músicos desta linguagem”. No início do ano passado, frequentou, na Escola Superior de Música de Lisboa, a unidade curricular opcional de Improvisação Jazz, leccionada pelo professor Óscar Graça. Considera que foi uma experiência extremamente enriquecedora, e que o motivou a aprofundar ainda mais esta área. Por isso, no início deste ano lectivo, decidou iniciar aulas particulares de piano jazz com o professor José Diogo Martins, um músico cujo trabalho já conhecia desde o Conservatório em Braga, e que sempre admirou.
Ao longo dos últimos anos, trabalhou em contextos muito diferentes, algo que julga ter sido uma enorme mais-valia para o seu crescimento enquanto músico. Já participou em recitais de piano, casamentos, baptizados, concertos com orquestra, concertos corais com repertórios muito diversos, actuações em bares com bandas, projectos pedagógicos, apresentações de obras da sua autoria para instrumentos e electrónica, projectos Erasmus, trabalhos de montagem de palco, concertos à guitarra, ao baixo e na bateria, musicais, projectos com bailarinas, e muitas outras experiências. Teve também a oportunidade de subir ao palco com a sua família (pais e avós), e de tocar com alguns dos seus próprios alunos, momentos que, certamente, têm um significado muito especial.
Um dos momentos mais marcantes do seu percurso, aconteceu recentemente, em Maio deste ano. Apresentou em concerto a sua primeira obra escrita por encomenda. A peça foi pedida pelo Ensemble DME, através das intérpretes Beatriz Costa (violino) e Ângela Carneiro (violoncelo), juntamente com o Lisboa Incomum e com o professor Jaime Reis. Escrita para violino, violoncelo e electrónica, a obra foi estreada em Lisboa, no “Lisboa Incomum”, e posteriormente apresentada em digressão em Paredes de Coura, na antiga Escola Primária de Infesta, integrada no Ciclo da Polinização. Pedro conta ter sido uma experiência profundamente gratificante, não só por representar a sua primeira encomenda enquanto compositor, e pelo extraordinário trabalho desenvolvido pela Beatriz e pela Ângela na interpretação da obra, mas também por ter tido a oportunidade de a apresentar em Paredes de Coura, terra que lhe é tão querida. “Poder levar a minha música a um lugar com um significado tão especial para mim, tornou este momento ainda mais memorável.” No âmbito deste mesmo projecto, teve também a oportunidade, juntamente com o professor Jaime Reis e a violinista Beatriz Costa, de dinamizar o workshop “Os Sons que Brincam” na Escola Secundária de Paredes de Coura. A actividade teve como objetivo dar a conhecer às crianças novas formas de fazer música, explorando as sonoridades de objectos do quotidiano, demonstrando assim como os elementos comuns do dia-a-dia podem tornar-se instrumentos de criação musical. Ao longo do seu percurso na música, já actuou em salas grandes e pequenas, para públicos numerosos, e para audiências mais reduzidas. “No fundo, cada concerto é diferente e todos eles me ensinam algo novo”, relata.
Pedro encara o futuro com muita vontade de continuar a aprender. “A música é uma área onde sentimos constantemente que há sempre mais para descobrir, estudar e experimentar. É realmente um vício”. Pretende continuar a desenvolver a sua actividade como compositor e intérprete, aprofundando tanto a escrita para instrumentos, como a criação musical com electrónica. Ao mesmo tempo, quer continuar ligado ao ensino e aos projectos musicais que lhe permitam colaborar com outros músicos e partilhar experiências. “Acima de tudo, espero continuar a crescer enquanto músico e enquanto pessoa, mantendo sempre a curiosidade e o entusiasmo que a música me desperta todos os dias.”, afirma.
Muito sucesso é também o que te desejamos, Pedro! Que continues a trabalhar, porque tens, certamente, um futuro muito brilhante pela frente!
Inês Pádua










