Recentemente revi um filme que já não via há muito tempo, uma comédia romântica que nos aquece o coração: “O Amor é o Melhor Remédio”. Como amante deste género cinematográfico, sempre que estou naqueles momentos de maior melancolia, procuro estes “filmes salva-vidas”. Chamo-lhes assim porque se trata de uma lista de filmes que me ajudam a libertar emoções que possam estar adormecidas. E, tal como a minha avó diz, “quem não paga renda, manda-se para fora”; como cumpridora de ditados, principalmente dos dela, recorro a mecanismos como este para as expelir. É um filme que aborda a questão da doença e do capitalismo com uma leveza que nos capta a atenção.
Acabamos por percepcionar que existem vezes em que o nosso corpo apela pelo socorro de um médico, quando, na verdade, é a nossa alma que necessita de uma consulta. “Mente sã, corpo são”. É esta uma das mensagens que mais associo a este filme. Não o terminei com uma receita na mão ou uma solução prescrita, mas sim com a sensação de que alguém me colocou um peso invisível no coração, uma reflexão que não costumo ter no meu dia a dia.
Este filme parte da ideia simples de que, quando tudo parece desorganizado por dentro, o amor aparece não como um milagre, mas como cuidado. Gosto de associar estas observações a algo mais concreto e, portanto, quando digo isto, quero no fundo ligar à sensação de quando, por exemplo, estávamos doentes, sem saber o que tínhamos, e alguém da nossa família nos dava um chazinho quentinho que, apesar de não nos curar, nos proporcionava aquela sensação de conforto e protecção.
Vivemos na correria da vida e sinto que, muitas vezes, “engolimos” emoções como se engolem comprimidos sem água. Isto acaba por reflectir-se no esquecimento de algo básico, uma verdade quase irrefutável: “ninguém se cura sozinho”. Neste filme, as personagens mostram-se repletas de imperfeições; são normais, com medos, confusões e silêncios. São o reflexo das nossas vidas quando entramos em casa e fechamos a porta ao mundo lá fora.
Para mim, a analogia do amor ser o melhor remédio é tão doce e bonita porque não aborda as paixões explosivas, mas sim os pequenos gestos: a simplicidade em ouvir, ficar e não desistir, mesmo quando existe uma força maior que faz o outro ficar confuso acerca daquilo que tem ou é. O filme fala comigo e o que ele me diz é que, às vezes, amar é simplesmente permanecer ao lado de alguém até a tempestade passar.
Foi no decorrer do enredo que procurei perceber como isto se aplica à vida local, às nossas rotinas, como tomar um café na vila, às conversas rápidas na rua, aos “está tudo bem?” que muitas vezes dizemos sem esperar uma resposta. Foi assim que cheguei à conclusão de que talvez devêssemos perguntar com mais verdade, procurar conhecer a realidade daquele que nos rodeia. Talvez assim se venha a descobrir que, provavelmente, o melhor remédio não está na farmácia, mas na forma como cuidamos uns dos outros.
“O Amor é o Melhor Remédio” não tenta salvar o mundo, mas sim recordar-nos de algo essencial. E, para mim, a mensagem que retirei, sem vírgulas, é que o coração também adoece e que o carinho continua a ser uma das terapias mais eficazes que existem.
No fim, o filme não nos muda. Somos nós que, por momentos, voltamos a acreditar que amar o outro ainda tem valor e compensa. E quando falo em amar, não falo só no romantismo, mas sim no cuidar e atentar, no falar e gargalhar, no chorar e partilhar. Resumindo: naquilo que nos torna humanos, aliar o raciocínio à emoção e tornar a empatia na nossa mais-valia.
Sandra Fernandes










